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Índice de verbetes



Canuto Abreu



Silvino Canuto Abreu (Taubaté, SP, 19 de janeiro de 1892 - São Paulo, 2 de maio de 1980), advogado, farmacêutico e médico, foi um notável pesquisador espírita e atuante divulgador do Espiritismo. Entre outras obras, destaca-se a série de artigos O Livro dos Espíritos e sua tradição Histórica e Lendária, que mais tarde foi reunida num volume publicado sob o mesmo título.


Canuto Abreu



Biografia

Canuto Abreu nasceu numa família inserida na cultura espírita e sortida de médiuns, pelo que desde cedo conviveu naturalmente com os fenômenos espirituais e a doutrina kardecista, que despertou seu espírita para o conhecimento e a prática da benevolência.

Depois de concluir seus estudos básicos em sua cidade natal, Taubaté, e o ensino fundamental em Jacareí, interior de São Paulo, formou-se em 1909, com apenas dezessete anos de idade, em Farmácia pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Migrou para Direito e neste curso bacharelou-se em 1916 pela UFRJ. Como advogado, especializado em Direito Comercial, Assuntos Econômicos e Bancários, atuou em renomadas corporações como o Banco Hipotecário, no Rio de Janeiro, no Caísse Commerciale et Industrieille, em Paris, e no Banco do Brasil, ao lado de notáveis como Rui Barbosa.

No âmbito da medicina, valendo-se da formatura de médico, concluída em 1923 pela mesma Faculdade de Medicina da capital carioca, foi o presidente fundador da Associação Paulista de Homeopatia. Filantropo por natureza, praticou a medicina por caridade e foi ativo voluntário em diversas instituições, dentre as quais, a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva fundada pela emérita confrade espírita e também filantropa Anália Franco.

Muito precocemente empreendeu-se no estudo dos Evangelhos bíblicos a partir de fontes diversos, incluso o mais antigo manuscrito grego do Novo Testamento.


Obra espírita

Atraído pelo forte interesse nos registros históricos acerca dos fenômenos espirituais, metapsíquicos e paranormais, esmiuçou bibliotecas e museus de diversas partes do mundo, especialmente o Museu Britânico, o Museu do Vaticano e a Biblioteca Nacional da França, coletando dados e formando uma riquíssima biblioteca pessoal.

Entre esses dados, constavam documentos espíritas coletados junto à União Espírita Francesa durante a invasão nazista em Paris por ocasião da II Guerra Mundial, época de grande e lamentável perseguição aos espíritas.

Entre esses documentos constavam cartas escritas pelo codificador espírita e endereçadas a Jean-Baptiste Roustaing, acusando-o abertamente de controverter os conceitos espíritas através da obra Os Quatro Evangelhos, psicografado por Émilie Collignon e por ele coordenado. Dr. Canuto tinha intenção de entregar o valioso acervo à Federação Espírita Brasileira, mas por considerá-la demasiada roustainguista, acabou mantendo todo o material para seu acervo pessoal.

O resultado considerado mais notável da sua coleta como historiador espírita é a série de artigos, publicada no jornal Unificação (órgão da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo) sob o título O Livros dos Espíritos em sua Tradição Histórica e Lendária, iniciada em 1953 e concluída em 1954, culminando na publicação de um único volume homônimo. Neste trabalho, o autor faz uma fictícia(?) narração ambientando os bastidores do lançamento do livro inaugural da Doutrina Espírita, desde as primeiras horas da manhã, quando o lote da publicação chega para ser exposto na livraria Dentu até as últimas horas da noite, num coquetel comemorativo, reunindo no pequeno apartamento do Prof. Rivail e da sua esposa Amélie todas as pessoas que colaboraram diretamente para que aquela edição viesse à público.

Canuto Abreu também dirigiu a Sociedade Metapsíquica de São Paulo, entidade que posteriormente se fundiu na Federação Espírita do Estado de São Paulo. Foi expositor da Primeira Turma da Escola de Aprendizes do Evangelho, da mesma Federação, tendo tomado parte na elaboração de alguns dos livros usados naqueles cursos.

Também é autor da série Subsídios para a História do Espiritismo no Brasil até o ano de 1895, publicada na revista Metapsíquica na década de 1930, e mais tarde, em 1950, reunida pela Federação Espírita do Estado de São Paulo em uma publicação intitulada Bezerra de Menezes.

Em O Evangelho por fora, faz tocantes notas sobre detalhes adicionais às narrativas bíblicas em torno da obra de Jesus Cristo.


Dr. Canuto e Herculano Pires

Em 1957, o Dr. Canuto integrou, ao lado honorários espíritas como José Herculano Pires, uma comissão responsável pela organização das festividades do primeiro centenário de lançamento de O Livro dos Espíritos, que resultou também numa publicação bilíngue da referida obra de Allan Kardec. Passados os festejos, porém, Herculano Pires publicou um artigo criticando negativamente o trabalho de tradução do Dr. Canuto, apontando neste o que considerou "distorções doutrinárias". Profundamente entristecido, Canuto de Abreu, que se eximiu de publicar qualquer autodefesa, fez recolher os exemplares da edição comemorativa e, em definitivo, afastou-se publicamente do Movimento Espírita, que o legou ao ostracismo.

Em consequência disso, o valioso acervo histórico por ele catalogado permanece engavetado por seus herdeiros, apesar dos apelos públicos endereçados por ativistas espíritas para que os familiares do Dr. Canuto os compartilhem.


Dr. Canuto Abreu, ao lado de Herculano Pires, discursando na comemoração do 1° centenário de lançamento de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec


A mensagem do Espírito Canuto de Abreu

O nome do Dr. Canuto voltou à cena em 2004, no encerramento do IV Congresso Espírita Mundial, realizado em Paris, justo no ano do bIcentenário de nascimento de Allan Kardec. Na ocasião, o médium Raul Teixeira psicografa o Espírito do insigne historiador com a mensagem seguinte:

"Allan Kardec!
Este nome é um marco de um tempo novo. É uma legenda de luz e de força moral que edifica um tempo especial de regeneração humana, e que, ao longo de mais de seis décadas, esteve no mundo das formas para materializar os ensinamentos do Mundo Etéreo, junto às almas terrenas.
Alma de escol, sem embargo, Allan Kardec veio ao planeta para representar no campo físico a Equipe Luminosa do Espírito da Verdade, que jorrava claridade sobre o orbe sob a ação venturosa do Cristo Excelso.
Nesse tempo em que o Espiritismo está no mundo, como esplendente Sol diluindo os miasmas da longa noite moral humana, ainda que pouco a pouco, são incontáveis aqueles que vêm recebendo o sustento para viver com entusiasmo, a motivação para prosseguir nas árduas lutas, sem pensar em fugir dos proscênios dificultosos dessas graves experiências das sociedades terrenas.
Quantos se arredaram das idéias suicidas, pelo entendimento de que ninguém morre essencialmente?
Quantos desistiram do abortamento por terem admitido o acinte que tal coisa representa contra as divinas leis de Deus?
Quantos se decidiram por manter iluminada por Jesus a estrutura do lar, ao verificarem sua importância para o progresso familiar?
Quantos se dedicaram a estudar as leis da vida e a estudar-se, anelando o entendimento e a melhoria de si mesmos?
Quantos abriram mão dos preconceitos de raça, de cor da epiderme, de gênero, de cultura e tantos outros, libertando-se dessa forma de ignorância que se demora no seio das sociedades?
Quantos que se esforçam por servir, por amar, desejosos de se tornarem cada vez mais úteis no campo da existência?
Quantos hão renunciado às pressões do homem-velho, na corajosa busca dos valores do homem-novo, conforme as considerações do Apóstolo Paulo?
Quantos sofrem e choram seus tormentos de agora, conscientes quanto às razões desses complexos dramas, sem se permitir murchar pelo desânimo, ante a visão lúcida que o Espiritismo enseja?
Hoje, quando reconhecemos, na Pátria Espiritual, os inúmeros equívocos que costumamos cometer, quando caminhantes da vilegiatura corporal, vale considerar a importância de fazer com que a gloriosa informação da Codificação penetre nossa intimidade, a fim de que respiremos esse portentoso pensamento espírita, convertendo-o em nossa real filosofia de vida, o que nos capacitará para a conquista da felicidade.
Quantos que ainda supõem que é possível ser espírita sem ajustar a própria existência aos preceitos da Codificação, e que se enganam com essa suposição?
Quantos que ainda crêem na ventura post-mortem longe dos esforços para a superação de limitações e obstáculos encontrados nas vias mundanas, e que se frustram no além?
Acho-me sob intensa emoção. Lutamos, durante um tempo longo, junto aos valorosos Benfeitores do nosso Movimento Espírita Internacional, para que este momento fosse corporificado aqui, nos campos fluídicos da alma francesa. E o Senhor da Vida no-lo consentiu. Mais do que isso, destacou eminentes Numes de vários países para formar a coordenação deste evento, a efeméride do IV Congresso Espírita Mundial, sob a inspiração do próprio Codificador.
Cabe-nos vibrar, então, ao se fecharem as cortinas deste Congresso, certos de que suas luzes não se apagarão. Os elementos energéticos que absorvemos aqui, resguardados por luminosos Prepostos de Jesus, acompanhar-nos-ão como inspiração para os trabalhos futuros e como medicação valiosa para que, daqui para a frente, logremos o fortalecimento da alma para estudar, para amar e servir, mais conscientes dos nossos deveres para conosco, para com Jesus e para com a vida, agora aclarada em seus fundamentos pelos ensinamentos do Espiritismo que, vitorioso no mundo, impulsiona-nos a ter maior clareza e penetração da razão, ao mesmo tempo que, dedicados ao bem, possamos ser felizes.
Deixo o meu abraço emocionado a todos quantos vibraram, vibram e vibrarão com essa realização bendita no solo francês, e a todos desejo paz e muita luz junto à Seara do Espiritismo.
Servidor de todos, agradecido e vibrante."
Silvino Canuto Abreu, psicografia de Raul Teixeira - Paris, 5 de outubro de 2004


Legado

Justamente pelo fato de o seu acervo histórico espírita ainda não ter sido trazido a público, estima-se que o legado do Dr. Canuto Abreu — além das obras que ele publicou, aqui já citadas — seja um verdadeiro tesouro a ser descoberto. Pessoas próximas do saudoso pesquisador contaram que ele trazia consigo verdadeiras joias históricas, por exemplos, manuscritos inéditos de Allan Kardec.

Por tudo isso, esperamos que não demore para que esse acervo seja compartilhado com todos nós — o que muito contribuiria para conhecermos ainda melhor a obra de Kardec, para o engrandecimento da própria Doutrina Espírita e, certamente, engrandecer ainda mais a memória do Dr. Canuto Abreu.


Referências

  • O Livro dos Espíritos e a sua Tradição Histórica e Lendária, Canuto Abreu (livro online).
  • Autores Espíritas Clássicos (acessar).
  • Blog Observador Espírita (acessar).
  • Mensagem do Espírito Canuto Abreu, psicografia de Raul Teixeira, no IV Congresso Espírita Mundial (assistir ao vídeo).
  • Documentário Roteiro Histórico Espírita em Paris, Luz Espírita 2017 (assistir ao vídeo)




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