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Índice de verbetes



Cepa espírita



A cepa espírita, ou ramo da videira espírita, reproduzida em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, é uma representação gráfica da obra divina e tem sido usada normalmente como emblema do Espiritismo, embora absolutamente não constitua um símbolo sagrado. Esta arte tem origem mediúnica, indicado especialmente para compor o referido livro.



Histórico

Por ocasião dos estudos e pesquisas iniciais da Revelação Espírita, e já em trabalho de lançar O Livro dos Espíritos, o codificador espírita recebeu uma comunicação mediúnica (a identidade do médium é desconhecida), assinada por várias entidades espirituais, cujo texto seria utilizado dentro do prefácio da obra, intitulado "Prolegômenos". No ínterim desta comunicação, um parágrafo assim se expressa:

"Coloca no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é o tronco; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem purifica o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo é que o Espírito adquire conhecimentos."

De fato, em anexo àquela mensagem, os Espíritos enviaram um desenho, de autoria da espiritualidade (psicopictografia), conforme Kardec assegurou, através da nota de rodapé posta na página seguinte à reprodução da imagem: "A cepa que se vê na página anterior é o fac-símile da que os Espíritos desenharam."


Significado do desenho

Bem como a própria comunicação explica, o desenho é uma representação gráfica do trabalho de Deus — ou seja, a Criação. Embora pareça ilustrar especificamente a criação dos Espíritos (os seres inteligentes, indivíduos, pessoas), não deixa de representar também o princípio material (da qual se originam os corpos físicos, substâncias, planetas etc.), ao se referir ao "corpo", assim como o termo "espírito" pode representar o princípio espiritual (do qual se originam as individualidades, ou seja, os Espíritos).

O galho da videira (que dá sustentação aos frutos) significa a forma física, quer dizer, o corpo humano, pois é esse envoltório físico que possibilita a manifestação do Espírito no mundo material. O licor da uva (a essência, o líquido que contém o sabor) significa o Espírito, pois este é a própria essência do Ser, a consciência, o indivíduo. O bago, ou seja, a uva, a parte carnosa que contém o licor, é a representação da alma (Espírito encarnado), da ligação entre o Espírito e o organismo físico, intermediada pelo perispírito.


Curiosidades

É interessante observarmos o tipo de fruto escolhido pelos Espíritos para a representação da obra divina. A uva é a típica matéria-prima do vinho — a bebida sagrada de várias religiões. Porém, desconsiderando esse caráter sacro, podemos supor que a escolha da espiritualidade tenha sido em função do valor histórico desta iguaria, uma vez que o seu cultivo data para mais de 6.000 a.C. e atravessa as mais tradicionais civilizações, sendo cultivado hoje em toda a parte do planeta — portanto, um fruto global.

A arte da cepa — a única utilizada na codificação espírita — tem sido bastante difundida como emblema do Espiritismo, contudo, simplesmente como metáfora, não tendo o caráter de símbolo sagrado ou mesmo de insígnia oficial, uma vez que o Espiritismo tem como um de seus fundamentos ser uma doutrina totalmente desprovida de formalidades, de liturgia, ritual etc. Dois detalhes relacionados ao desenho da cepa espírita dão ênfase a esse desprovimento doutrinário:

  1. A comunicação endereçada a Kardec indicava expressamente que a imagem fosse posta na cabeceira do livro. No entanto, ela foi reproduzida na seção intitulada Prolegômenos, já depois da Introdução. A "não obediência" do codificador a essa indicação pode ter sido devido questões técnicas, afinal, em seu tempo, os recursos gráficos eram limitados e caríssimos. Entretanto, se fosse admitido o caráter sacro, não importasse como, o desenho deveria figurar-se na capa do livro.
  2. O desenho original, reproduzido na edição de lançamento de O Livro dos Espíritos, não é o mesmo que aparece na 2ª edição (veja o quadro a seguir), cuja alteração, fosso o caso de simbolismo religioso, poderia ser considerado adulteração. A "despreocupação" do codificador reflete bem que o importante é realmente a mensagem, não a forma.


Referências

  • O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - especialmente: Prolegômenos.




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