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Índice de verbetes



José Herculano Pires



José Herculano Pires (Avaré, SP, 25 de setembro de 1914 - São Paulo, SP, 9 de março de 1979) foi um jornalista, filósofo, educador, escritor, tradutor e um dos mais memoráveis estudiosos e ativistas do Espiritismo de seu tempo. Foi autor de diversos livros de teor doutrinário espírita e de traduções de obras de Allan Kardec. Por seu discernimento e fidelidade às ideias kardecistas, foi definido pelo Espírito Emmanuel (o mentor espiritual de Chico Xavier) como "o melhor metro que já mediu Kardec". Em seus escritos, um dos enfoques mais salientes é o de crítica ao Movimento Espírita, com relação aos desvios doutrinários.



Herculano Pires é filho de um farmacêutico, José Pires Corrêa, e uma pianista, Bonina Amaral Simonetti Pires, residentes em Avaré, interior de São Paulo, onde ele fez os primeiros estudos.

Suas aptidões literárias despontaram precocemente. Escreveu seu primeiro livro com apenas 16 anos, Sonhos Azuis, uma coleção de contos, e dois anos mais tarde publicaria o segundo: Corações, desta vez, de poesias.

Em 1938, aos 24 anos de idade, casou-se com Maria Virginia Ferraz Pires, que ele conheceu quando proferia sua primeira palestra espírita, num centro espírita em Sorocaba, SP, onde ela era evangelizadora.

Trabalhou escrevendo para diversos jornais em São Paulo e Rio de Janeiro e foi dirigente de um em Marília, o Diário Paulista. Mudou-se para a capital paulista em 1946 e lá publicou O Caminho do Meio, o seu primeiro romance. Trabalhou por três décadas nos Diários Associados, atuando como repórter, redator, cronista e crítico literário.

Embora dissesse não ter vocação acadêmica, nem pretendesse ser escolas literárias, acabou graduou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 1958, publicando uma tese existencial: "O ser e a serenidade". De 1959 a 1962, foi docente titular da cadeira de filosofia da educação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Foi membro titular do Instituto Brasileiro de Filosofia, seção de São Paulo, onde lecionou psicologia. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo de 1957 a 1959. Foi professor de sociologia no curso de jornalismo ministrado pelo Sindicato. Também presidente e professor do Instituto Paulista de Parapsicologia de São Paulo. Organizou e dirigiu cursos de parapsicologia para os centros acadêmicos da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina e em diversas cidades e colégios do interior.

Foi membro da Academia Paulista de Jornalismo, onde em 1964 ocupou a cadeira "Cornélio Pires" — seu tio e outro grande ativista espírita —, e pertenceu à União Brasileira de Escritores, onde exerceu o cargo de diretor e membro do Conselho no ano de 1964. Exerceu ainda o cargo de chefe do Sub-Gabinete da Casa Civil da Presidência da República no governo de Jânio Quadros, no ano de 1961, onde permaneceu até a renuncia do mesmo.


Obra espírita

Infatigável estudioso das obras de Kardec e espírita convicto desde os seus 22 anos, Herculano Pires foi um grande divulgador do Espiritismo e defensor da pureza doutrinária kardecista, motivo pelo qual o levou a traduzir as obras básicas do codificador espírita, sem hesitar críticas às falsas interpretações dos confrades e instituições, incluindo a Federação Espírita Brasileira. Combateu com firmeza o sincretismo religioso, o misticismo e quaisquer outras ideias que fugisse do racionalismo filosófico original da doutrina.

Durante 20 anos manteve uma coluna diária sobre Espiritismo nos Diários Associados, com o pseudônimo de Irmão Saulo. Durante quatro anos manteve no mesmo jornal uma coluna em parceria com Chico Xavier sob o título "Chico Xavier pede Licença".

Em sua obra, valoriza a razão, o positivismo científico e enfatiza a contribuição espírita para o desenvolvimento da Filosofia, especialmente pela demonstração lógica do sentido da vida e pela solução dos clássicos conflitos antropológicos (como a origem e essência do mal) fundamentada na lei da reencarnação, atentando, com isso, na refutação das ideias materialistas.

Herculano Pires foi um dos jornalistas convidados para compor a mesa de entrevistadores na histórica edição de 21 de dezembro de 1971 do programa Pinga-Fogo da TV Tupi, com o médium Chico Xavier — por quem Herculano tinha uma especial simpatia.

Especialmente para publicar suas obras, fundou, nos anos 1970, a Editora Paideia, hoje pertencente à Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires — uma instituição sem fins lucrativos, criada em 2001, para conservar a memória e obra do casal que a intitula.

De sua rica obra literária espírita, destacam-se: Curso Dinâmico de Espiritismo, Educação para a Morte, A Obsessão - O Passe - A Dutrinação, Introdução à Filosofia Espírita, A Pedra e o Joio, O Centro Espírita, Agonia das Religiões, Pedagogia Espírita, Vampirismo e O Espírito e o Tempo — considerada a sua obra-prima.

Também publicou as seguintes obras em parceria com Chico Xavier: Astronautas do Além, Chico Xavier Pede Licença, Diálogo dos Vivos, Na Era do Espírito e Na Hora do Testemunho.

Do codificador espírita, traduziu O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese, O Que é o Espiritismo, Obras Póstumas e O Principiante Espírita. Também colaborou ainda com o Dr. Júlio Abreu Filho na tradução da Revista Espírita.

Herculano desencarnou na noite de 9 de março de 1979, logo em seguida a um infarto fulminante, mas sua inestimável contribuição ao Espiritismo permanece influente e é uma das fontes mais recorridas para a compreensão do desenvolvimento espírita.


Referências






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