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Índice de verbetes



Obras Básicas do Espiritismo



Obras Básicas do Espiritismo, ou Obras Básicas da Codificação Espírita são o conjunto do trabalho literário de autoria de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, contendo assim “a base” da Doutrina dos Espíritos, quer dizer, os fundamentos da Revelação Espírita. No contexto de Kardec ser o interpretador e sistematizador do ensinamento dos Espíritos superiores que, sob a liderança do Espírito Verdade, nele concentraram a Terceira Revelação, as obras do codificador são consideradas então como a Codificação do Espiritismo, no sentido bibliografia fundamental da síntese doutrinária.

Ver também: Codificação do Espiritismo, sobre o processo de sistematização da doutrina.



Pentateuco kardequiano

Dentro desse conjunto, destacam-se os cinco principais livros, algumas vezes chamados de “pentateuco kardequiano”, em alusão aos primeiros cinco livros bíblicos, cuja autoria é atribuída a Moisés, que constitui a base do Judaísmo. São eles:

  • O Livro dos Espíritos: publicado em 18 de abril de 1857, cujo conteúdo foi sensivelmente ampliado e tornado definitivo na 2ª edição, de 1860. É a obra inaugural do Espiritismo e a que alicerça os fundamentos doutrinários;
  • O Livro dos Médiuns: lançado em 1861, como diz o seu subtítulo, é o “Guia dos Médiuns e Evocadores”, um estudo apurado da fenomenologia espiritual e um manual prático para o exercício mais consciente, seguro e produtivo da mediunidade;
  • O Evangelho segundo o Espiritismo: de 1864, trata de interpretar os ensinamentos morais de Jesus contidos nos evangelhos bíblicos então melhor esclarecidos a partir dos conhecimentos oferecidos pela Doutrina Espírita;
  • O Céu e o Inferno: publicação de 1865 com um ensaio filosófico profundo sobre o destino da humanidade conforme o Espiritismo e, com isso, refutando logicamente velhas tradições (paraíso ocioso, inferno eterno, seres especiais como anjos e demônios etc.), além de uma coletânea de depoimentos de Espíritos sobre as diversas situações do além-túmulo;
  • A Gênese: obra de 1868 que se debruça sobre os aspectos mais científicos da doutrina e demonstra o caráter natural do Espiritismo e sua absoluta dissemelhança das crenças e práticas místicas, ocultistas e supersticiosas, no trato com a ideia da origem do mundo, dos milagres e previsões, arrematando seu conteúdo com o anúncio e a caracterização da nova Era, de regeneração, reservada para a Terra e para cujo desenvolvimento a Doutrina Espírita vem contribuir sistematicamente.

Obras Básicas de Allan Kardec para a Codificação Espírita


Como os demais livros e opúsculos publicados por Kardec são desdobramentos dos postulados desse pentateuco, certos divulgadores costumam enumerá-los como sendo as "cinco obras básicas" e o restante da produção kardequiana como as "obras complementares". Outros, no entanto, desaprovam essa divisão e ressaltam que a codificação espírita é composta por todas as publicações de Allan Kardec.


Revista Espírita

Embora a Revista Espírita tenha sido lançada para ser uma espécie de “laboratório teórico” acerca da pesquisa espírita — portanto, espaço de ideias experimentais —, estudiosos espíritas colocam toda a sua coleção, enquanto editada por Kardec, na conta de conteúdo fundamental para se compreender especialmente o desenvolvimento do movimento espírita.

"Sendo a Revista Espírita um terreno de estudo e de elaboração dos princípios, e nela dando sem rodeios a nossa opinião, não tememos empenhar a responsabilidade da Doutrina, porque a Doutrina a adotará, se for justa, e a rejeitará, se for falsa."
Allan Kardec Revista Espírita - julho, 1868: 'A geração espontânea e A Gênese'

Lançada em janeiro de 1858 com o subtítulo “Jornal de Estudos Psicológicos”, a Revista Espírita foi editada mensalmente pelo codificador espírita até o desfecho de sua encarnação, em março de 1869, reunindo notícias, correspondências e apreciações sobre os mais diversos assuntos relacionados ao Espiritismo, configurando-se assim como uma fecunda fonte de estudo espírita.


Opúsculos kardecistas

Outros trabalhos menores publicados de Kardec, mas merecidamente apreciáveis como parte da codificação espírita:

  • Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas: de 1858, pequeno manual prático da mediunidade segundo o Espiritismo. Em razão de sua tiragem ter se esgotado rapidamente e de Kardec receber recorridos apelos para uma reedição, resultou dele a elaboração de O Livro dos Médiuns;
  • O que é o Espiritismo: publicado em 1859, é uma síntese dos princípios básicos da Doutrina Espírita e um apanhado de refutação às mais comuns objeções e críticas levantadas contra o Espiritismo, além de proposições para a solução de alguns problemas à luz da doutrina;
  • O Espiritismo em sua Expressão mais Simples: um suscinto registro histórico do Espiritismo e breve apresentação dos seus princípios doutrinárias, publicado em 1862;
  • Viagem Espírita em 1862: registra os principais eventos relacionados a uma turnê realizada por Allan Kardec pelo interior da França naquele ano de 1862, incluindo a transcrição de alguns de seus discursos nos encontros com os confrades espiritas. Contém ainda um modelo de estatuto para as sociedades espíritas;
  • Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas: brochura com itens numerados, constituídos em sua maioria de um pequeno parágrafo, que resumem os princípios doutrinários, além de aspectos práticos do fenômeno espírita;
  • Caráter da Revelação Espírita: panfleto com uma coletânea de trechos extraídos da Revista Espírita, cujo conteúdo originou o capítulo I de A Gênese;
  • Catálogo Racional das Obras para se fundar uma Biblioteca Espírita: de 1869, lista os títulos indicados para o estudo espírita e dá orientações para se montar uma biblioteca com a temática da Doutrina Espírita, contendo obras publicadas pelo próprio Kardec (descritas aqui como "fundamentais") e outras correlacionadas, descritas como "Obras diversas sobre o Espiritismo (ou complementares da doutrina)" e como "Obras realizadas fora do Espiritismo".


Resgate póstumo

Em 1870, onze anos depois da desencarnação de Allan Kardec, veio a público o livro Obras Póstumas, contendo uma compilação de textos, alguns deles até então inéditos, atribuídos ao codificador espírita. Dentre esses textos, anotações pessoais narrando os bastidores da descoberta e verificação da fenomenologia espírita, bem como o trabalho de pesquisa pessoal e preparativos para o lançamento de O Livro dos Espíritos.

Este livro foi editado por Pierre-Gaëtan Leymarie, então representante legal da entidade herdeira do legado espírita de Kardec e responsável: Sociedade Anônima para a continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec. Com isto, a tradição espírita tem contado esta obra como parte da codificação do Espiritismo.

Contudo, a partir de apanhados históricos evidenciando desvios doutrinários de Leymarie na condução de continuador da obra de Kardec, o próprio conteúdo de Obras Póstumas passou a ser colocado sob suspeita, notadamente desde quando se verificou a adulteração de A Gênese a partir da 5ª edição, três anos depois que Kardec desencarnou.

O projeto Cartas de Kardec propõe o resgate dos documentos originais de Allan Kardec e toda a sua correspondência espírita a fim de uma melhor contextualização do desenvolvimento da doutrina. Desse modo, todo o material autêntico provindo da autoria de Kardec é acervo válido a ser apreciado como integrante do conjunto de obras básicas do Espiritismo. Em face disso, o projeto visa resgatar, catalogar e publicar contextualizadamente todo o material restante dos documentos originais do codificador, como o acervo histórico coletado pelo pesquisador espírita Dr. Canuto Abreu, que foi a motivação inicial deste projeto.


Allan Kardec, codificador do Espiritismo



Fonte primordial de estudo

As obras básicas, ou codificação espírita, é o ponto de partida para o estudo da Doutrina Espírita, é o alicerce, a base doutrinária. Mas não é o seu encerramento, a sua completude; o Espiritismo é uma doutrina cujo uma das suas caraterísticas é a de uma ciência; portanto, é necessariamente progressista, de contínuo estudo e pesquisa, acompanhando o desenvolvimento das capacidades humanas para a compreensão da natureza superior da espiritualidade e, com isso, para o recebimento de novas revelações dos Espíritos.

A obra de Allan Kardec não tem o caráter de sagrada e perfeita — como, por exemplo, a Bíblia é para os católicos e o Alcorão é para os muçulmanos; a produção kardequiana, como todo e qualquer conhecimento oferecido, deve ser estuda e continuamente posta em análise ao passo da evolução da epistemologia espírita, ou seja, das próprias capacidades de se compreender o Espiritismo. Isto implica na admissão que nos postulados contidos na literatura kardecista possa caber revisão — seja das ideias particulares do codificador espírita, seja do acolhimento dos ensinamentos dados pelos mentores espirituais — como, aliás, no próprio transcorrer de sua trajetória carnal, Kardec o fez algumas vezes — embora tenham sido revisões acerca de ínfimos detalhes, enquanto os fundamentos doutrinários permaneceram e até hoje têm permanecido em toda a sua justeza com a razão e a lógica.


Referências




Índice de verbetes
A Gênese
Agênere
Aksakof, Alexandre
Alexandre Aksakof
Allan Kardec
Alma
Alma gêmea
Amélie-Gabrielle Boudet
Anastasio García López
Andrew Jackson Davis
Anna Blackwell
Auto de Fé de Barcelona
Banner of Light
Baudin, Irmãs
Bem
Berthe Fropo
Blackwell, Anna
Boudet, Amélie-Gabrielle
Cairbar Schutel
Canuto Abreu
Caridade
Caroline Baudin
Cepa espírita
Charlatanismo
Charlatão
Chico Xavier
Cirne, Leopoldo
Codificador Espírita
Consolador
Crookes, William
Davis, Andrew Jackson
Denis, Léon
Dentu, Editora
Dentu, Édouard
Desencarnado
Deus
Divaldo Pereira Franco
Doutrina Espírita
Ectoplasma
Ectoplasmia
Editora Dentu
Édouard Dentu
Epífise
Errante
Erraticidade
Errático
Escrita Direta
Espiritismo
Espírito da Verdade
Espírito de Verdade
Espírito Errante
Espírito Santo
Espírito Verdade
Espiritual
Espiritualismo
Espiritualismo Moderno
Evangelho
Fora da Caridade não há salvação
Francisco Cândido Xavier
Franco, Divaldo Pereira
Fropo, Berthe
Galeria d'Orléans
Gama, Zilda
Glândula Pineal
Herculano Pires
Herege
Heresia
Hippolyte-Léon Denizard Rivail
Humberto de Campos
Inquisição
Irmão X
Irmãs Baudin
Jackson Davis, Andrew
Joanna de Ângelis
Johann Heinrich Pestalozzi
José Herculano Pires
Julie Baudin
Kardec, Allan
Kardecismo
Lachâtre
Lamennais
Léon Denis
Leopoldo Cirne
Linda Gazzera
Livraria Dentu
Madame Kardec
Mal
Maurice Lachátre
Médium
Mediunidade
Metempsicose
Misticismo
Místico
Moderno Espiritualismo
Necromancia
O Livro dos Espíritos
Obras Básicas do Espiritismo
Oração
Palais-Royal
Paráclito
Parasitismo psíquico
Pélagie Baudin
Percepção extrassensorial
Pereira, Yvonne A.
Pestalozzi
Pineal
Pneumatografia
Prece
Quiromancia
Religião
Revelação Espírita
Rivail, Hippolyte-Léon Denizard
Santíssima Trindade
Santo Ofício
Schutel, Cairbar
Sentido Espiritual
Sexto Sentido
Silvino Canuto Abreu
Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
Terceira Revelação
Tribunal do Santo Ofício
Ubiquidade
Vampirismo
William Crookes
Xenoglossia
Yvonne do Amaral Pereira
Zilda Gama

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