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Índice de verbetes



Terceira Revelação



Terceira Revelação

O Espiritismo é chamado também Terceira Revelação, em referência ao que consideramos as três grandes revelações de espiritualidade para com a Humanidade. A primeira é a revelação mosaica (de Moisés), que estabeleceu no Judaísmo o monoteísmo e o Decálogo. A segunda, revelada por Jesus, diz respeito à vida futura, à fraternidade universal e ao mandamento cristão do amor incondicional a Deus e ao próximo. O caráter da Revelação Espírita é dar continuidade ao plano espiritual de interagir com a Humanidade em vista do nosso curso evolutivo, conforme os desígnios de Deus.

Evidentemente, que estas três unidades não encerram toda a contribuição do plano espiritual aos homens, pois que, desde os primórdios da vida humana na Terra, Deus tem permitido gradativamente revelações a todos os povos — seja por inspiração, seja por manifestações ostensivas de Espíritos. Assim é que podemos citar as contribuições de Sócrates, dos iniciados do Antigo Egito, de Buda e os mahatmas, Confúcio, Fo-HI, Maomé e mesmo dos homens das ciências. Contudo, estas três unidades sobressaem-se pela grandeza de seus enunciados e pelas consequências que imprimiram na História da Humanidade.


A primeira revelação

A revelação mosaica estabeleceu entre os judeus o monoteísmo (mono = um + theós = deus + ismo = doutrina, ideia), ou seja, a crença em Deus como o Ser Único, Onipotente, Criador do Universo e Supremo Soberano de tudo e de todos. Tradicionalmente, essa primeira revelação é personificada em Moisés, porque foi ele o escolhido para recebê-la e transmiti-la ao seu povo. Conforme a Bíblia, o Deus de Israel apresentou-se diretamente a Moisés e revelou o Decálogo (os Dez Mandamentos), pelo qual se consagra a unicidade da divindade.

"Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão. Não tenham diante de mim outros deuses estrangeiros. Não façam imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na Terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não adorarem a eles e não lhes prestem culto soberano."
Êxodo, 20:2-5

A ideia de um Deus único não era totalmente original, pois hoje se sabe de outras crenças que já cultuavam o monoteísmo. Contudo, diante da expressiva predominância do politeísmo (ideia de existência de vários deuses), o povo judeu — devido sua rígida observância às suas tradições — foi aquele que alicerçou o monoteísmo de maneira a influenciar as crenças futuras.

"Todas as raças da Terra devem aos judeus esse benefício sagrado, que consiste na revelação do Deus Único, Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres."
Emmanuel, A Caminho da Luz, psicografia de Chico Xavier - cap. IV: "O povo de Israel"

Ver Decálogo.


A segunda revelação

A segunda grande revelação foi feita por Jesus, que consiste especialmente em três pontos revolucionários:

  1. Anúncio da vida futura: os judeus não tinham ideia clara do destino das almas pós-morte. Enquanto alguns esperavam serem arrebatados para junto de Deus, outros esperavam a graça de terem uma vida longa e farta na Terra. Não havia consenso sobre o "mistério da morte". Jesus introduziu em seu meio a ideia da sobrevivência da alma após a morte física. Embora falando de forma alegórica, falou de ressurreição, ressaltando a responsabilidade dos atos da vida física na destinação da vida espiritual, mencionando os exemplos clássicos de um paraíso e de um inferno, conforme outra crença corrente;
  2. Instituição da fraternidade universal, em que todos — indistintamente — somos filhos de Deus e igualmente irmãos uns dos outros. Os judeus monopolizavam sua divindade, acreditando que eles fossem o único povo eleito por Deus, distinguindo-se assim dos gentios (estrangeiros, pagãos, aqueles que não faziam parte da raça judia e não professavam o Judaísmo). Em Jesus, temos todas as graças divinas estendidas a todos os povos;
  3. Mandamento de amor incondicional, tanto ao Pai quanto aos nossos semelhantes, como princípio essencial para a nossa salvação e resumo de toda a lei e ensinamento dos profetas. Enquanto os judeus cultuavam o separatismo de raças, julgando sua superioridade em relação às demais, Jesus consagrou o mandamento cristão de igualdade entre todos: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", onde o próximo é todo aquele se apresente em nosso meio, inclusive aqueles que se põem como inimigos.


A Terceira revelação

Restaurando o verdadeiro significado dos ensinos de Jesus (muitas vezes tão mal interpretados e mal praticados pelas religiões), demonstrando novas coisas (por exemplo, detalhes da vida espiritual), consolando aqueles bem-aventurados descritos pelo Cristo (os pobres de espírito, os brandos e pacíficos, os humildes, os que têm sede de justiça, etc.) e reatando os laços com a Ciência (outrora amaldiçoada pelos religiosos), a Revelação Espírita então cumpre os requisitos do Consolador prometido e se apresenta como a Terceira Revelação. Ela não está personificada em ninguém — nem do plano espiritual, nem da dimensão física —, porque são vários os Espíritos comunicantes e vários médiuns receptores da mensagem espiritual, e se faz presente em toda a parte, através desse intercâmbio mediúnico, com o qual a Humanidade tem a extraordinária oportunidade de avançar no seu curso evolutivo.

"O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo, por meio de provas irrecusáveis. Ele nos mostra a espiritualidade, não mais como coisa sobrenatural, mas ao contrário, como uma das forças vivas e sempre atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, jogados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo menciona em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que ele disse permaneceu incompreendido ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil."
Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo- cap. I, item 5

Ver Revelação Espírita.


Referências

  • A Gênese, Allan Kardec - especialmente: cap. I: "Caráter da Revelação Espírita".
  • Obras Póstumas, Allan Kardec - especialmente 2ª Parte.
  • O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec - especialmente cap. I: "Não vim destruuir a lie".
  • A Caminho da Luz, (Emmanuel) Francisco Cândido Xavier - especialmente cap. IV: "O povo de Israel".
  • Bíblia - especialmente Êxodo.




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