Atendimento
Compartilhe esta página no: Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar no Google Plus


Capítulos:



Cap. 14 - Influências nefastas


— Aqui temos as imagens — disse Augusto, continuando sua palestra — de nosso campo de atuação: a casa de Rafaela. E, conforme os irmãos já perceberam, as imagens nos permitem a visualização de ambos os níveis de existência. As cenas que vemos agora são registros de cinco semanas antes de nossas atividades auxiliadoras. Notemos a grande massa de entidades enfermas que coexistem no local.

À medida que Miguel falava, as cenas modificavam-se na tela como que obedecendo aos pensamentos do amigo palestrante, em uma perfeita sincronia entre imagens e palavras.

Prosseguiu a palestra:

— Esses irmãos, tão desejosos de sensações materiais, ligam-se de forma parasítica aos personagens encarnados que ali residem, com enfáticas investidas sobre Rafaela, pois esses infelizes adoentados ali se encontram por ordens de entidades que lhes tomam como escravos, entidades essas que têm por única intenção frustrarem os planos reencarnatórios de Ícaro.

Nesse momento, em especial, a tela dividia-se em quatro partes iguais, mostrando-nos um mosaico de distintas imagens que, no entanto, guardavam entre si algo em comum. A isso, Augusto chamou nossa atenção, apontando para os números no canto inferior direito das imagens:

— Observem queridos amigos, que essas quatro cenas diferentes que aparecem aqui aconteceram no mesmo instante. Analisemos bem cada uma delas e anotemos nossas observações para que discutamos ao final da palestra.

Devido outro movimento da mão de Augusto, a tela voltou a ser única e, dessa vez, a cena evidenciava fatos ocorridos com Rafaela.

Uma dezena de Espíritos incrivelmente mutilados circundava-a. Dois deles me chamaram bastante a atenção, pois a todo o momento aproximavam-se de nossa irmã, encostando a boca em seu ventre, na altura do umbigo, e, numa espécie de sucção, puxavam-lhe fluidos animalizados.

Era-nos possível observar as energias saindo do centro gástrico de Rafaela e penetrando os perispíritos daqueles outros. Percebi ainda que, diferentemente desses dois, os demais tratavam de implantar-lhe nos outros centros de força, pequenas partes de uma substância semelhante a uma massa. As entidades, inclusive, depositavam grande parte desse material no centro genésico.

Após esse momento, de imagens fechadas, a tela se abriu revelando-nos agora maiores detalhes do plano físico. Foi então que pudemos ver melhor a disposição das personagens de ambos os planos. Rafaela estava na varanda do apartamento, segurava um copo com bebida alcoólica e fumava. Ao seu lado estava sua amiga Juliana, ambas rodeadas pelas entidades enfermiças que as obsediavam. Elas conversavam entretidamente e, conforme nossas observações, influenciadas especialmente por dois indivíduos invisíveis que, em contraponto aos colegas, estavam bem trajados e em nada, pelo menos visualmente, aparentavam possuir quaisquer anomalias.

De imediato, tive a impressão de que aqueles dois seriam finalmente Espíritos que estavam ali para auxiliá-las e penso que esse tenha sido o pensamento de todo aquele grupo de aprendizes.

E, como que percebendo nossos pensamentos, Augusto deixou que ouvíssemos o diálogo.

— Nossa! Que loucura! — dizia Rafaela à amiga.

— O que foi? — Juliana perguntou, sorrindo, porém, sem entender sobre o que a outra falava.

Rafaela, parcialmente ébria, continuou:

— Já parou para pensar?… A gente mora no sétimo andar…

— Sim, e daí?

— Olha, Ju… Imagina só como seria cair daqui?… Acho que faria um estrago bem grande, você não acha?

— Que ideia é essa? — indagou Juliana, denotando em sua fala um misto de repugnância e estranheza. — Acho que você já passou da conta dessa bebida!

— Não, é sério… Sabe, hoje eu nem fui para a aula. Estou desde cedo curtindo uma preguiça que nem sei de onde vem, mas que está me sugando todas as forças. Por três ou quatro vezes, vim até aqui, na varanda, e era como se algo me dissesse para eu me atirar. Eu sei que é algo estúpido, mas confesso que isso passou mesmo pela minha cabeça.

Juliana olhou assustada para a amiga e nesse instante nos foi possível ouvir a voz da entidade que tentava lhe falar:

— "Conte! Conte a ela que você já pensou o mesmo. Diga a ela que você já atentou contra a própria vida! Diga a ela que você a entende e que ela tem razão. Fale que, às vezes, o melhor da vida é não estar vivo! Vamos! Diga!" — falava-lhe o Espírito, enfático.

Então, Juliana parecendo ter ouvido o sussurro do ser espiritual infeliz, respirou fundo e se dirigiu à amiga, cautelosamente retirando o copo das mãos de Rafaela, dizendo:

— Sabe, Rafa, acho que devemos dormir. Chega, por hoje! Vamos deitar e pensar um pouco na vida! Não falamos muito em Deus por aqui. Sendo assim, vamos tentar absorver mais dele e um pouco menos de álcool.

Naquele momento, a entidade que tentava obsidiar Juliana, sentindo-se contrariada, saltou em direção a Rafaela, fazendo com que ela, em um único impulso, lançasse-se para agarrar o copo, na tentativa de resgatá-lo.

Sem sucesso, Rafaela, então, pulou habilidosamente para o outro lado do parapeito do apartamento, permanecendo, assim, pendurada, ao mesmo tempo em que fazia ameaças de se soltar, caso a amiga não lhe devolvesse a bebida.

Juliana desesperou-se e gritou pela amiga Gabriela, que, até o presente, não havia percebido nada, uma vez que escutava música em altíssimo volume, em outro cômodo daquele apartamento. Ouvindo os chamados, Gabriela não se demorou em vir ao seu socorro. Chegando à varanda, deparou-se com Rafaela a gritar do outro lado.

Enquanto as duas amigas tentavam acalmar aquela que ameaçava cometer suicídio, as entidades intensificavam suas investidas na tentativa de fazer com que Rafaela se soltasse. A cada palavra de Juliana e Gabriela, a outra esbravejava e gritava insultos e palavrões.

Gabriela, que era mais temperamental, não suportando os insultos da amiga, logo, contaminou-se com as baixas energias preponderantes no local. No entanto, Juliana parecia, cada vez mais, reunir forças e não se deixava influenciar por qualquer pensamento que denotasse inferioridade.

Não tardou e as imagens começaram a nos apontar a quantidade de Espíritos amigos que ali também se encontravam, mas que, devido à densa camada de fluidos negativos, não nos fora possível vislumbrar até aquele momento. A confusão permaneceu por mais algum tempo, até que os Espíritos benfeitores encontrassem maior abertura entre as personagens encarnadas.

Gabriela, por se sentir demasiadamente irritada, havia se afastado daquela sala. Essa sua atitude aumentou significativamente a perturbação de Rafaela, mas, em contrapartida, possibilitou à Gabriela o desligamento das entidades que, no calor da discussão, influenciavam-na fortemente.

Agora, com os ânimos mais acalmados, Gabriela começou a ensaiar uma prece, solicitando ajuda para a amiga. Um nevoeiro, cada vez mais espesso, circundava Rafaela, que, aos nossos olhos, parecia não perceber que aquele ambiente já era tomado de renovadas vibrações.

As entidades adoentadas envolviam Rafaela tenazmente e, aproveitando-se do gozo que ela sentia em ser o centro das atenções, pois a essa altura dos acontecimentos, pessoas já se aglomeravam na frente do edifício e também a incentivavam na promoção daquele tumulto. Então, Rafaela como que ouvindo a música profana que os espíritos cantavam, balançava-se de um lado para outro, no ritmo exato daquela melodia umbralina.

Antes que Rafaela se desse conta, Juliana aproximou-se, segurou firme as mãos da amiga em desequilíbrio e, sem proferir qualquer palavra, fitou-a profundamente, ao passo que de seu centro frontal emanava um fio de luz, o suficiente para dissipar a névoa em torno de Rafaela, que, então, como quem desperta de profundo sono, tomou-se de susto ao aperceber-se do local onde estava.

No plano extrafísico, as imagens tomavam formas mais clarividentes. Pouco a pouco o ambiente redefinia-se a nos revelar um estado de graça, estado esse que refletia diretamente na dimensão física, que, vagarosamente, aderia-se às boas emanações.

Enquanto isso, as entidades que não comungavam daquela paz, sentindo-se desconfortáveis e mostrando indizível contrariedade, puderam somente afastar-se e, pelo menos naquela noite, assim permaneceriam, pois também uma barreira, semelhante a uma cerca elétrica e envolta de grande esfera de força, fora levantada a fim de proporcionar proteção àquele local.


Capítulos:


Introdução

PRIMEIRA PARTE (Médium Wilton Oliver) Capítulo 1 - Visitas à casa do irmão Hélio

Cap. 2 - Encontro doce

Cap. 3 - O papel dos mentores

Cap. 4 - O resgate de Ícaro

Cap. 5 - Na câmara de miniaturização

Cap. 6 - Preparação para o porvir

Cap. 7 - A gestação

Cap. 8 - Oportunidade para recomeço

Cap. 9 - Confissões

Cap. 10 - Equipe socorrista

Cap. 11 - Depoimento de Hanzi

Cap. 12 - Nos campos da Colônia

Cap. 13 - Reminiscências

Cap. 14 - Influências nefastas

Cap. 15 - Exposição esclarecedora

SEGUNDA PARTE (Médium Rodrigo Felix da Cruz) - Cap. 1 - Notícia feliz

Cap. 2 - O retorno de Marisa

Cap. 3 - Estudos na Colônia

Cap. 4 - Estágio no Hospital Irmã Margarida

Cap. 5 - Reencontro com Ícaro

Cap. 6 - As dimensões do Além

Cap. 7 - Laboratório da Memória

Cap. 8 - Na equipe socorrista

Cap. 9 - Primeiras atividades socorristas

Cap. 10 - Visita a François Dupont

Cap. 11 - Importante projeto

Cap. 12 - Grupo de planejamento

Cap. 13 - Implantação do projeto

Cap. 14 - Trabalho em conjunto

Cap. 15 - Comprometimento, esperança e perdão

TERCEIRA PARTE (médiuns Alessandra Aparecida Silva e Rodrigo Felix da Cruz) Cap. 1 - Balanço

Cap. 2 - Novos trabalhos

Cap. 3 - Reunião na casa de Ricardo Felício

Cap. 4 - Laerte

Cap. 5 - Irmã Margarida

Cap. 6 - Irmã Maria Madalena

Cap; 7 - Irmã Lia

Cap; 8 - Inácio

Cap. 9 - Thales

Cap. 10 - Augusto

Cap. 11 - José de Matusalém

Cap. 12 - Estevão, guerreiro

Cap. 13 - Clara

Cap. 14 - O resgate de Rômulo

Cap. 15 - Mensagem de Laerte



© 2014 - Todos os Direitos Reservados à Fraternidade Luz Espírita

▲ Topo