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Capítulos:



Cap. 15 - Exposição esclarecedora


Novamente, Augusto passou a mão na frente da tela e esta se dividiu em duas partes. A da esquerda mostrava o desfecho daquele episódio, na casa de Rafaela, enquanto a da direita revelava uma senhora que, como eu tomaria conhecimento mais tarde, se tratava da mãe de Rafaela. Essa senhora, em profunda concentração, orava por sua filha e ao seu lado entidades amigas inspiravam algo que não nos era possível captar pelos sons daquele aparelho projetor, entretanto, como aquela máquina registrava as manifestações do pensamento, nos era fácil entender os conselhos dos benfeitores, que, atentos aos acontecimentos do plano físico, alertavam a matrona do perigo pelo qual passava Rafaela.

Observamos que os números exibidos na parte inferior de cada tela novamente denunciam que ambos os eventos ocorriam em sincronia.

Augusto fez uma pausa na exibição do filme para nos esclarecer:

— Como podemos perceber caros amigos, nossos irmãos estavam por esses dias mergulhados em grande abismo de influências ignorantes. Nessa breve passagem, nos foi possível observar alguns fatos que escapariam ao observador mais descuidado, como, por exemplo, podemos pontuar o perfil dos irmãos que influenciavam nossas amigas encarnadas, durante sua conversa na sacada do apartamento. Aquelas entidades fazem grande oposição aos nossos trabalhos e, ao contrário do que muitos pensam, não são entidades que sofrem aflições físicas no mundo espiritual, absolutamente. Aliás, as vestes daqueles dois denotavam muito bem um perfil diferenciado. Pois, tenham certeza que os Espíritos que sofrem no plano extrafísico são Espíritos que, além do apego ao corpo físico e à vida material, ignoram sua própria condição. Quando digo que aquelas entidades não sofrem, refiro-me à falsa impressão que se guarda a respeito delas. Alerto para o fato de que não podemos agir com ingenuidade, tomando esses irmãos como vítimas quando, na verdade, eles mesmos têm conhecimento dos efeitos que decorrerão de suas más atitudes e ainda assim, voluntariamente, escolhem andar por esses caminhos. Esses amigos, que temos mais na conta de enfermos morais, diferem e muito dos que podemos efetivamente chamar de sofredores, pois, esses últimos sim, são vítimas daqueles outros, conquanto, não compreendendo seu estado, vivem no limiar dos dois planos, submetendo-se às vontades daqueles, em troca das migalhas de forças animalizadas. Portanto, não desdenhemos a inteligência e as capacidades que as entidades contrárias aos nossos trabalhos possuem, a fim de não colocarmos a perder toda a semente que já foi plantada. Não nos deixemos ser enganados pela boa aparência que esses irmãos exteriorizam. Antes, tomemos a precaução de perscrutar os sentimentos pelos quais são movidos. Nas palavras do apóstolo Paulo, “não acreditemos em todos os Espíritos. Antes, verifiquemos se falam em nome de Deus”. Afirmo, meus amados irmãos, que esta máxima não se aplica somente ao plano físico.
Novas imagens se apresentaram nas telas holográficas, agora nos mostrando a cena congelada do momento em que as entidades depositavam o material de textura pastosa nos centros de força de Rafaela.

— Aqui, amados amigos — continuou Augusto —, vemos aqui alguns irmãos escravizados sorvendo fluidos de nossa irmã, ao mesmo tempo em que depositam denso material insalubre, que tem por objetivo impedir o bom funcionamento dos chacras. Notemos que esses Espíritos aplicam grande quantidade desse insumo no centro genésico, e não é para menos, pois esse centro de força é responsável pelas energias sexuais, tão intensas e necessárias ao ser encarnado. Bloqueando esse centro, em especial, as entidades objetivam anular as potencialidades orgânicas de nossa irmã, a fim de que ela torne-se inapta a receber Ícaro em seu ventre.

Augusto fez uma breve pausa, como que, com isso, estivesse explorando nossos pensamentos a fim de verificar o grau de compreensão que alcançávamos.

Nesse ínterim, um rapaz perquiriu o palestrante:

— O irmão me poderia esclarecer uma dúvida?

— Sim, Rael — falou Augusto, com presteza.

— Não compreendo como essas entidades, tão doentes e tão viciosas, podem tornar uma mulher estéril. Não seria isso contrário às leis divinas? Ou seja, afirmar que alguém pode barrar a lei de encarnação, que possibilita a nós Espíritos errantes a sublime oportunidade de nos refazermos em sucessivos estágios no orbe terreno, é o mesmo que dizer que podemos desfazer as leis de Deus, e, se assim fosse possível, no caso da reencarnação, não seria ela uma lei divina, já que seria passível de mudança…

Augusto esboçou doce sorriso e, com a mesma doçura, respondeu:

— Devo dizer que a observação do amigo obedece admirável lógica. Porém, não podemos avaliar a situação por um único lado do prisma. Falamos até o momento dos objetivos que movem as entidades enfermas, o que não implica dizer que serão alcançados necessariamente. Do mesmo modo, que esses irmãos investem suas forças em seus maus intentos, nós outros aplicamos as nossas em ajudar os amigos na Terra. Sendo assim, juntando todos os pesos e medidas, a escolha será sempre da personagem que estagia no corpo físico. Em síntese, podemos dizer que as energias mal formuladas só encontrarão berço no corpo que lhe ofereça tais possibilidades. Do mesmo modo ocorre com as energias renovadoras, que o Universo incessantemente nos oferece. Com efeito, meus amados irmãos, nossa amiga se tornará incapaz de ser mãe se ante as enfermidades da alma sobrepujar-lhe a vontade de seguir no bem, o firme propósito de realizar a tarefa que lhe compete realizar. Como conclusão, podemos dizer que não seriam as entidades doentes que anulariam a lei natural, do mesmo modo que não se pode transformar o homem bom em mau.
A questão levantada por aquele colega nos suscitou outras, quando, então, tomei a liberdade de também inquirir o amigo expositor:

— Augusto…

— Sim, César…

— Entendo que não é possível tornar estéril uma mulher, todavia, essa mesma regra aplica-se a um caso contrário, quero dizer: é possível que uma mulher organicamente incapaz de gerar uma vida possa vir a engravidar?

— Novamente, solicito que antes de se expressar qualquer julgamento é imperioso que conheçamos todas as causas dos efeitos observados. Entendemos que, no caso desenhado pelo companheiro, a personagem feminina não seria desprovida da dádiva materna sem motivo razoável. Entretanto, se por seus próprios méritos ela consegue abater as mazelas que lhe impuseram tamanha prova, pode Deus, em sua misericórdia, torná-la capaz de oferecer a algum Espírito a chance de um novo período de aprendizagem na carne. E não tomemos isso como milagre, pois, sendo o corpo orgânico o estágio mais denso da manifestação do ser espiritual na Terra, está ele em total condição de sofrer todas as modificações que já tenham sido operadas em fases mais sutis. Sendo assim, amigo César, pergunto-lhe, a título de reflexão: é possível um homem mau tornar-se um homem bom?

A questão de Augusto sugeriu-me outro questionamento, mas, porque eu não queria parecer inconveniente, abstive-me de formulá-lo. Contudo, o nobre instrutor, parecendo ter acesso aos meus pensamentos, continuou:

— Amáveis irmãos, os questionamentos levantados por nossos companheiros Rael e César nos oferecem campos vastos para outras tantas profundas interrogações. Os amigos podem então indagar: será que esses Espíritos tenazes em sua ignorância têm a capacidade de provocar o aborto?

Ao passo que Augusto levantou essa questão, olhou-me, obtendo de minha parte um tímido sorriso, que denunciava que aquela interrogação, sim, derivava de meus pensamentos.

O amigo palestrante, em meio às manifestações de sins e nãos, continuou com seus esclarecimentos:

— Mais uma vez, convido a todos para uma observação mais rica dos fenômenos que se desenham. É atitude prudente tomar posse de todos os fatores que compõem a paisagem para que não façamos julgamentos equivocados e não causemos ruídos nas experimentações que tal ou tal Espírito careça em sua caminhada. Conquanto sendo tal experimentação o impedimento de desenvolvimento de um feto, temos de entender, antes de qualquer coisa, que essa situação será para todos os envolvidos um meio de crescimento. Dessa forma, é necessário que sejam consideradas uma infinidade de causas, que fatalmente teriam conduzido a esse efeito. Peço licença aos amigos para ressaltar o caso que ora estudamos e as particularidades que podem comprometer a gestação de nossa irmã Rafaela.
Àquela altura o ambiente era sereno e descontraído. Augusto, apesar de seu aspecto sério, deixava-nos todos bem confortáveis. Isso parecia aumentar expressivamente nosso nível de compreensão do assunto tratado.

— Nosso querido companheiro encarnante — continuou o expositor — encontra-se em estado letárgico, mas nem por isso está desprovido de suas habilidades intelectuais e, por que se encontra em tal condição, não está impedido de manifestar sua vontade. É do conhecimento de todos que nosso amigo está em vias de voltar ao claustro físico, de modo compulsório. Casos bem comuns entre Espíritos endurecidos que, por permanecerem em monoideísmo, acabam por perder as formas perispirituais comuns ao estado humano da evolução. Quanto a isso, vale lembrar que o retrocesso que se dá é meramente físico, por assim dizer, ele é dado pela obstinada permanência do Espírito em um mesmo campo de ideias. Só esse ponto já é um fator de risco a uma gestação saudável, pois muitos Espíritos nessas condições ligam-se ao ventre materno somente para recobrar as formas humanas e se prepararem para uma encarnação na melhor estrutura física que lhe convenha. Entendemos que as gestações interrompidas são para os pais, que aguardavam esperançosos pelo seu rebento, algo que pode ser bastante dolorido. Porém, se nos dispusermos a fazer uma leitura completa dos acontecimentos, procurando reconhecer as causas, facilmente identificaremos que os efeitos guardam em si os reflexos de desvios pretéritos. Este é, caros amigos, um ponto que pode intervir de modo peremptório no evento encarnatório de nosso amigo.

Enquanto Augusto prestava-nos auxílio no campo dos esclarecimentos, eu não pude deixar de pensar em Ícaro, que, estava agora prestes a ligar-se efetivamente ao ventre de Rafaela, e que, mesmo tendo reconhecido o imperioso de sua hospedagem carnal, ainda guardava fortemente o desejo impiedoso de realizar justiça conforme seu recuado entendimento.

Detido nesses pensamentos, porém sem deixar de acompanhar as palavras de Augusto, pus-me a orar.

***


Capítulos:


Introdução

PRIMEIRA PARTE (Médium Wilton Oliver) Capítulo 1 - Visitas à casa do irmão Hélio

Cap. 2 - Encontro doce

Cap. 3 - O papel dos mentores

Cap. 4 - O resgate de Ícaro

Cap. 5 - Na câmara de miniaturização

Cap. 6 - Preparação para o porvir

Cap. 7 - A gestação

Cap. 8 - Oportunidade para recomeço

Cap. 9 - Confissões

Cap. 10 - Equipe socorrista

Cap. 11 - Depoimento de Hanzi

Cap. 12 - Nos campos da Colônia

Cap. 13 - Reminiscências

Cap. 14 - Influências nefastas

Cap. 15 - Exposição esclarecedora

SEGUNDA PARTE (Médium Rodrigo Felix da Cruz) - Cap. 1 - Notícia feliz

Cap. 2 - O retorno de Marisa

Cap. 3 - Estudos na Colônia

Cap. 4 - Estágio no Hospital Irmã Margarida

Cap. 5 - Reencontro com Ícaro

Cap. 6 - As dimensões do Além

Cap. 7 - Laboratório da Memória

Cap. 8 - Na equipe socorrista

Cap. 9 - Primeiras atividades socorristas

Cap. 10 - Visita a François Dupont

Cap. 11 - Importante projeto

Cap. 12 - Grupo de planejamento

Cap. 13 - Implantação do projeto

Cap. 14 - Trabalho em conjunto

Cap. 15 - Comprometimento, esperança e perdão

TERCEIRA PARTE (médiuns Alessandra Aparecida Silva e Rodrigo Felix da Cruz) Cap. 1 - Balanço

Cap. 2 - Novos trabalhos

Cap. 3 - Reunião na casa de Ricardo Felício

Cap. 4 - Laerte

Cap. 5 - Irmã Margarida

Cap. 6 - Irmã Maria Madalena

Cap; 7 - Irmã Lia

Cap; 8 - Inácio

Cap. 9 - Thales

Cap. 10 - Augusto

Cap. 11 - José de Matusalém

Cap. 12 - Estevão, guerreiro

Cap. 13 - Clara

Cap. 14 - O resgate de Rômulo

Cap. 15 - Mensagem de Laerte



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