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Capítulos:



PRIMEIRA PARTE (Médium Wilton Oliver) Capítulo 1 - Visitas à casa do irmão Hélio


— Não me apareceu...

— Você morreu...

— O de cima está com o açúcar dentro...

— Não machuca ele... Por favor, eu peço clemência!

— É um favor que fazemos a ele — disse o outro.

— “Meu Deus!” — pensei: “Que cena mais desesperadora!”

Senti em meu íntimo uma vontade incontrolável de fumar e me desesperei ao ver que aquela vontade era compartilhada por muitos outros que ali estavam e aguardavam desejosos mais um trago da vítima encarnada.

Foi quando o meu amigo, que naquele instante se ocupava de me fornecer maiores esclarecimentos, elucidou-me dizendo que aquele desejo que eu sentira não era meu e sim daqueles outros tantos Espíritos que ali estavam à forma de simbiontes , alimentando-se do vício do tabaco.

Então, Perguntei por que eu sentira aquele desejo, pois, para mim, aquilo era estranho, já que, mesmo quando no corpo físico, eu sentia repulsa pelo cigarro.

Como resposta, Miguel me esclareceu, dizendo que fazia pouco tempo que eu havia deixado as regiões inferiores e a minha nova condição exigia algum tempo para adaptação. Por isso senti tal desejo de fumar, mesmo eu não tendo o prazer pelo tabagismo, contudo, eu vibrava na mesma sintonia dos espíritos que estavam nas mesmas regiões das quais eu saíra recentemente.

Dada a questão de afinidade perispiritual, é que eu também sentira aquele desejo incontrolável de experimentar as amargas tragadas naquilo que para o corpo é um veneno lento e mortal, mas aqueles que já não dispõem do corpo físico nele encontram uma prazerosa fonte de alimento vicioso, a saber, o cigarro.
*
Na manhã seguinte, fui despertado por Miguel em um canto do quarto onde eu repousara. Ele me trouxe um belo café, o que foi muito bom porque eu estava realmente faminto.

— Hoje iremos novamente visitar o nosso amigo de ontem, Cesar! Disse-me, com o sorriso entre os lábios.

— Miguel, qual é o objetivo de uma nova visita?

— Estudo — respondeu o meu amigo.

— E hoje alguém que você ainda não teve oportunidade de avistar estará nos acompanhando.

— Eu conheço? — perguntei.

— Não exatamente. Pelo menos não é alguém que você tenha conhecido em sua passagem pelo plano físico, mas que acompanhou de perto todo seu processo reencarnatório e que deseja apresentar-se a você. Você, com certeza, irá se lembrar dela!

— Então é uma mulher?

— Em sua última encarnação o foi.

— Minha mentora?

— Nossa, meu caro amigo. Mas devo adiantar que esta também está longe do estado que convencionamos chamar de angelitude e que ela também está na conta dos Espíritos errantes...

— Então, por que me disse que é nossa mentora? Pensei que os chamados mentores fossem anjos!

— Disse que é nossa mentora, pois ela é um Espírito já bastante evoluído em relação a nós, Cesar. Ela tem nos orientado em trabalhos no mundo físico e também no plano espiritual. Todavia, ela também recebe orientações de outros Espíritos que se encontram em estágio maior que o dela. Ser mentor, Cesar, não quer dizer simplesmente ficar parado vigiando o seu tutelado. Pensar que os mentores ou anjos da guarda, como alguns os chamam, estão fadados à monotonia da guarnição dos encarnados é reduzi-los à condição de simples babás.

— Não quis dizer isso, porém, na casa espírita que eu frequentava, enquanto encarnado, aprendi que os nossos mentores são Espíritos que se ocupam em nos guiar em nossos caminhos.

— Sim, César. Mas, daí dizer que eles se ocupam somente com isso é outra coisa. Saiba meu amigo, que esses irmãos do mais alto também recebem orientações de outros Espíritos e todos, indiretamente, as recebemos de Deus.

— Então a casa espírita me ensinou inverdades?

— Não, Cesar. Somente não se pôde dizer daquilo que não conhecia. A Doutrina dos Espíritos ainda não está concluída e nem tão cedo se concluirá, porque à medida que vamos reencarnando, vamos nos tornando cada vez mais aptos às novas revelações. Mas isso é assunto para outro momento, Cesar. Na ocasião atual, cuidemos de nossa visita à casa do Sr. Hélio!

Quando cheguei à casa do Sr. Hélio, eu estava um tanto nervoso, pois a experiência de outro dia havia me causado certo temor de voltar às regiões mais inferiores.

— Não se preocupe Cesar. Vai ficar tudo bem! — disse-me Miguel, como quem lesse meus pensamentos.

— Não estou com medo.

— Eu não disse que estava! — sorriu para mim, e aquele sorriso me serviu como um farol para o navegador.

— Olá, meus queridos irmãos, chegaram bem na hora!

Neste momento, aproximava-se de nós uma mulher alta, com cabelos longos até a cintura, com semblante calmo e voz adocicada. Encantei-me com tanta doçura e tanta paz que naquele segundo primeiro me envolvia, trazendo-me boas lembranças.

— Que Deus a abençoe, irmã!

— A todos nós, Miguel! Vejo que você está se inteirando dos assuntos espirituais, Cesar...

Fiquei parado, sem dizer uma palavra àquele ser que a mim se dirigia. Ela me fazia sentir em meu interior a presença divina.

— Perdoe-me, Cesar, não me apresentei... Meu nome é Madalena.

— Devo dizer que estou muito feliz em conhecer aquela que acompanhou toda minha encarnação.

— A felicidade é minha também, Cesar, pois muito me alegra ver um irmão nosso que foi retirado das regiões inferiores se dedicando com tanto afinco nos estudos e nos trabalhos que lhe cabem.

Enquanto a irmã Madalena falava com toda doçura e atenção, pude perceber que Miguel estava com o olhar fixo em um determinado canto da sala.

— Algum problema, Miguel? — perguntou a irmã Madalena, objetivando retomar a atenção do meu amigo.

— Desculpe-me, irmã. Eu estava observando os irmãos que acabaram de chegar e que se aproximaram de nosso querido irmão Hélio.

— Na verdade, eles já estavam aqui, Miguel. Mas você somente os percebeu agora.

— Estes são os mesmos Espíritos de outro dia?

— Não, Cesar. Aqueles outros foram ajudados durante o Evangelho que alguns irmãos da casa espírita vieram fazer aqui há poucos dias.

— Mas, se foi feito o Evangelho recentemente, por que outros Espíritos viciosos permanecem próximos de nosso irmão Hélio?

— Como você já deve ter observado, nosso querido irmão em questão possui o insalubre hábito de fumar e que, não raramente, quando ele está nervoso com algo, acredita que o cigarro é um calmante, e assim, Hélio não hesita em dar suas tragadas.

— Sim, tenho percebido isso.

— Pois então, Cesar. Se você já percebeu isso, os irmãos desencarnados que ainda se encontram dependentes dos vícios que possuíam quando no corpo físico, também percebendo essa fraqueza em nosso querido Hélio, estes encontram nele ótimos recursos para saciarem seus desejos mais baixos.

— Isso é o que podemos chamar de obsessão?

— Podemos dizer que o estágio que estes se encontram ainda é de vampirismo, no qual os desencarnados simplesmente usam um vício que o encarnado já possui, não precisando induzi-lo a nada. Porém, devo enfatizar que nosso irmão está sim beirando a obsessão, porquanto os Espíritos que se alimentam de seu vício o estimulam a ficar nervoso por qualquer motivo. Sabem eles que Hélio irá procurar no cigarro, e às vezes, em algumas doses de bebida, o calmante que lhe falta na alma. E quanto à questão do Evangelho, os irmãos de outro dia foram socorridos, mas isso não impede que Hélio ou qualquer outra pessoa nesta casa dê razão para novos Espíritos aproveitar-se de seus defeitos morais em benefício próprio.

Para mim, aquelas informações começaram a fazer sentido, dado o fato de que, quando encarnado, eu me sentia envolvido por vontades alheias às minhas e que, lembrando agora de minha querida companheira do lar, eu senti um arrependimento indescritível, pois Marisa sempre tentara me ajudar promovendo por diversas vezes encontros evangélicos em nossa casa.

— Não se martirize Cesar! — disse Miguel, que novamente parecia que praticava uma espécie de anamnésia psíquica acessando a todos os meus pensamentos.

— Não estou me martirizando, Miguel. Estou somente pensando nas vezes que desperdicei as boas oportunidades que me foram oferecidas...

— Melhor seria que pensasse nas oportunidades que você abraçou Cesar — disse-me minha querida mentora Madalena, que prossegui seu discursso:

—As oportunidades que ignoramos Cesar, essas não valem de nada. As que realmente fazem diferença para nós e para todos que estão à nossa volta são as que aproveitamos e que executamos com amor, paciência e sabedoria.

Neste momento, abro um parêntese para esclarecer aos leitores amigos que outras visitas foram feitas à casa de Hélio. Entretanto, não cabe aqui contá-las em minúcias, porque isso só faria com que eu me tornasse demasiado cansativo.

Vale lembrar que em uma dessas tantas visitas, agora mais envolvido com as vibrações dos irmãos menos esclarecidos, eu estava ao lado de seu filho mais velho quando a irmã Madalena, em companhia do irmão Miguel, começou a conversar com um irmão que há muito obsidiava Hélio. Naquele momento, ouvi quando o irmão, apontando em minha direção, disse que não aceitaria qualquer ajuda que partisse da irmã Madalena e do irmão Miguel, alegando que eles estavam acobertando as faltas cometidas por mim e pelo irmão Hélio.

Fiquei pensando por alguns instantes no que havia dito aquele irmão, buscando em minha memória de onde eu poderia tê-lo conhecido. Claro que não consegui encontrar, em nenhum instante de minha última encarnação, a presença daquele outro. Sendo assim, conclui que eu e aquele irmão tínhamos nos relacionado em outras existências possíveis às quais eu ainda não havia tido a oportunidade de lembrar-me totalmente.

Terminado o evangelho, Hélio parecia mais calmo e matinha um semblante sereno. Tudo ali emanava luz. Então, enquanto estávamos retornando ao nosso recanto espiritual, indaguei a irmã Madalena e o irmão Miguel sobre o que aquele irmão havia dito.

— Aquele irmão, César, chama-se Ícaro — esclareceu-me Miguel.

— Por que ele disse que eu havia lhe feito mal? Não me recordo de onde ou de qual de minhas encarnações eu o tenha conhecido...

— Você lembrará quando isso lhe for útil — falou minha irmã Madalena.

— Mas, irmã, você não acha que já começou a ter utilidade que eu me recorde pelo menos disso? Pois, isso está começando a me tirar a paz!

— O que eu acho não determinará se você irá se lembrar ou não, mas quem saberá o momento certo não sou eu, e sim você!

— No momento César, podemos afirmar que Ícaro faz parte de nossa família espiritual. Ademais, todos já vivemos algumas tantas vidas sob o mesmo teto e sob a égide da mesma equipe de Espíritos a qual atualmente chamamos "mentores".

— Quer dizer então que...

— Sim, César. Ícaro é um dos nossos irmãos que, devo dizer, a exemplo da parábola do filho pródigo, o céu ficará em festa quando ele retornar ao seio do pai.

— Então Ícaro é também seu pupilo?

— Ícaro fora, em uma encarnação não muito distante, meu filho, juntamente com você e com Hélio. E foi nessa encarnação que nós o fizemos tal mal pelo qual ele ainda nos quer ver pagar.

(1) Simbionte: aquele que vive por simbiose, ou seja, que se nutre por estar associado a outro indivíduo e que, neste caso específico, pode ser chamado de vampirismo – Nota do Digitador (N. D.)

(2) Anamnésia (ou anamnese): vaga lembrança, sutil recordação – N. D.


Capítulos:


Introdução

PRIMEIRA PARTE (Médium Wilton Oliver) Capítulo 1 - Visitas à casa do irmão Hélio

Cap. 2 - Encontro doce

Cap. 3 - O papel dos mentores

Cap. 4 - O resgate de Ícaro

Cap. 5 - Na câmara de miniaturização

Cap. 6 - Preparação para o porvir

Cap. 7 - A gestação

Cap. 8 - Oportunidade para recomeço

Cap. 9 - Confissões

Cap. 10 - Equipe socorrista

Cap. 11 - Depoimento de Hanzi

Cap. 12 - Nos campos da Colônia

Cap. 13 - Reminiscências

Cap. 14 - Influências nefastas

Cap. 15 - Exposição esclarecedora

SEGUNDA PARTE (Médium Rodrigo Felix da Cruz) - Cap. 1 - Notícia feliz

Cap. 2 - O retorno de Marisa

Cap. 3 - Estudos na Colônia

Cap. 4 - Estágio no Hospital Irmã Margarida

Cap. 5 - Reencontro com Ícaro

Cap. 6 - As dimensões do Além

Cap. 7 - Laboratório da Memória

Cap. 8 - Na equipe socorrista

Cap. 9 - Primeiras atividades socorristas

Cap. 10 - Visita a François Dupont

Cap. 11 - Importante projeto

Cap. 12 - Grupo de planejamento

Cap. 13 - Implantação do projeto

Cap. 14 - Trabalho em conjunto

Cap. 15 - Comprometimento, esperança e perdão

TERCEIRA PARTE (médiuns Alessandra Aparecida Silva e Rodrigo Felix da Cruz) Cap. 1 - Balanço

Cap. 2 - Novos trabalhos

Cap. 3 - Reunião na casa de Ricardo Felício

Cap. 4 - Laerte

Cap. 5 - Irmã Margarida

Cap. 6 - Irmã Maria Madalena

Cap; 7 - Irmã Lia

Cap; 8 - Inácio

Cap. 9 - Thales

Cap. 10 - Augusto

Cap. 11 - José de Matusalém

Cap. 12 - Estevão, guerreiro

Cap. 13 - Clara

Cap. 14 - O resgate de Rômulo

Cap. 15 - Mensagem de Laerte



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