Compartilhe esta página no: Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar no Google Plus



Índice de verbetes



Kardecismo



Kardecismo é um termo derivado do sobrenome Kardec, em alusão a Hippolyte-Léon Denizard Rivail, que adotou o pseudônimo Allan Kardec, desde quando assumiu a missão de codificar a Doutrina Espírita.

Literalmente, kardecismo (Kardec + ismo) significa "doutrina de Kardec", ou "doutrina kardecista", aplicável também como sinônimo de Espiritismo e Doutrina Espírita. Essa designação foi adotada por enciclopédias, como a de Oxford e a Barsa. Contudo, muitos pensadores espíritas resistem em aceitá-la como válida, em função de, segundo estes, o termo denotar erroneamente a ideia de que o Espiritismo — a doutrina dos Espíritos — seja obra de Allan Kardec. O próprio codificador espírita rejeitou tal qualificativo, enaltecendo a verdadeira autoria da referida doutrina:

"Entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos há esta diferença capital; que todos estes são obras de homens mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribui (o Espiritismo), eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio. Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade? O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos. "
Allan Kardec, O Que é o Espiritismo - Cap. I, 2° diálogo: "Elementos de convicção"

Outros estudiosos espíritas, a exemplo dos enciclopedistas, consideram correto o uso do termo Kardecismo em razão de muitas vezes ser necessário distinguir a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec de outras concepções que se apropriam do título Espiritismo e espírita, em que Kardecismo equivale a Espiritismo Kardecista. Sobre aquela recomendação do codificador, para que não lhe fosse atribuído qualquer mérito, estes estudiosos põe na conta da modéstia de Kardec, uma vez que a codificação — de acordo com estes — não lhe foi ditada pronta, mas foi sim habilmente compilada por ele.

De fato, as expressões espiritismo e espírita foram generalizadas e aos poucos substituíram os termos espiritualismo e espiritualista, relativos ao movimento conhecido como Espiritualismo Moderno. Mesmo Allan Kardec — o criador daquelas expressões — as aplicou de maneira geral, designando fenômenos fora do âmbito da Doutrina Espírita, por exemplo, classificando como "manifestações espíritas" ocorrências mediúnicas quaisquer. Provavelmente, ele o fez por não supor que a doutrina que ele iria codificar fosse ser tão rapidamente aceita. Uma vez que a Doutrina Espírita se estabeleceu e sobrepujou sobre as ideias generalizadas do Espiritualismo Moderno, a palavra espiritismo passou a ser tecnicamente aplicada exclusivamente à doutrina codificada por Kardec e, de maneira semelhante, o adjetivo espírita (o mesmo que espiritista) foi sendo restringido ao escopo dos conceitos kardecistas.

Há ainda quem proponha que o termo Espiritismo continue sendo aplicável a todo o universo correspondente ao Espiritualismo Moderno e à prática geral da mediunidade, enquanto que o conjunto dos conceitos doutrinários ditados pelos Espíritos e codificados por Kardec seja chamado apenas de Doutrina Espírita. Ainda nesse contexto, a expressão Kardecismo ficaria restrita às opiniões particulares de Allan Kardec.

Em suma, compreendemos Kardecismo como sinônimo de Espiritismo e de Doutrina Espírita (termos equivalentes), significando então o conjunto de conceitos codificados por Allan Kardec, em acordo com a revelação dos Espíritos superiores, também caracterizada como a Terceira Revelação. As demais doutrinas, ainda que sejam compostas de algumas concepções similares, mas que não acompanham integralmente a codificação espírita, estas são classificadas como espiritualistas.


Referências






© 2014 - Todos os Direitos Reservados à Fraternidade Luz Espírita

▲ Topo