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Índice de verbetes



Vampirismo



Vampirismo é um tipo de obsessão caracterizado pela condição de parasitismo psíquico, quando um ou mais dentre os envolvidos — Espíritos desencarnados, almas encarnadas e a mescla destes — se nutrem das forças vitais de suas vítimas, comumente em associação a prazeres viciosos. É, portanto, um processo obsessivo mais ou menos grave, que consiste no envolvimento de um agente ativo (vampirizador) e outro passivo (vampirizado), havendo ainda casos de ação mútua (quando os mesmos envolvidos ora vampirizam e ora são vampirizados), cuja solução muitas vezes requer uma caridosa intervenção de terceiros em socorro aos, tanto aos vampirizadores quanto aos vampirizados.



Ideia conceitual

O termo vampirismo é empregado no estudo espírita para designar metaforicamente o processo de parasitismo psíquico, em alusão aos parasitas descritos pela Biologia, que são organismos que vivem em associação com outros organismos dos quais sugam os nutrientes para sua sobrevivência. Nesse processo (parasitismo), normalmente o parasita (organismo hóspede) causa dano ao outro (organismo hospedeiro), como nos casos das doenças infecciosas, causadas por parasitas do tipo de alguns vírus e bactérias. Em se tratando de parasitismo psíquico, cuja matéria envolvida é a energia vital, a relação é sempre danosa, inclusive para todos os envolvidos, como bem define José Herculano Pires:

"O parasitado sofre duplo desgaste de suas energias mentais e vitais e o parasita cai na sua dependência, perdendo a sua capacidade individual de sobrevivência e conservação."
Vampirismo, J. Herculano Pires - "Parasitas e Vampiros"

A metáfora em voga se aplica devido a certas semelhanças entre o processo de parasitismo e as clássicas lendas de vampiros — criaturas mitológicas (mistura de humano com morcego) que vêm das trevas e, sempre de noite, atacam seres humanos para lhes sugar o sangue, que seria a fonte da vitalidade daquelas criaturas.

A associação das expressões vampirismo e seus derivados com o parasitismo psíquico é amplamente empregada no meio espírita, especialmente a partir dos dramas narrados pelo Espírito André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, na série A Vida no Mundo Espiritual, que começa com o clássico Nosso Lar, onde encontramos (capítulo 31) o caso de uma mulher (denominada "vampiro") cercada de pontos negros, que, chegada do Umbral, implora socorro do outro lado da cancela, sendo o socorro negado em virtude de tratar-se de um forte vampiro, cujos pontos negros — cinquenta e oito, no total — representavam cada uma das crianças assassinadas ao nascer.

Desta mesma série, encontramos Missionários da Luz, seu livro que melhor pormenoriza o drama vampirístico, onde lemos o autor espiritual nos transcrever a definição colhida junto a um instrutor:

"Se nos referirmos aos morcegos sugadores, o vampiro, entre os homens, é o fantasma dos mortos, que se retira do sepulcro, alta noite, para alimentar-se do sangue dos vivos. Não sei quem é o autor de semelhante definição, mas, no fundo, não está errada. Apenas cumpre considerar que, entre nós, vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qual quer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens."
Missionários da Luz, (André Luiz) Chico Xavier - cap. 4

Em consonância com a obra de André Luiz, o saudoso estudioso espírita Martins Peralva contribui definindo:

"Ação pela qual Espíritos involuídos, arraigados às paixões inferiores, se imantam à organização psicofísica dos encarnados (e desencarnados), sugando-lhes a substância vital. "
Estudando a Mediunidade, Martins Peralva - cap. 13 "Vampirismo"

A propriedade dessa associação entre a lendária figura do vampiro com o obsessor que particularmente investe contra suas vítimas para nutrir-se de suas energias fica mais emblemática quando observamos as anotações do estudioso Carlos Torres Pastorino ao salientar que, dentro do organismo físico, é no sangue humano que se dá a melhor assimilação com a energia vital — que é o objeto elementar do processo de vampirização. Isso explica por que o baço é ponto mais visado por obsessores dessa qualidade.

"(...) outra função típica do baço é a assimilação ao sangue do prana captado pelo chakra esplênico. Essa absorção é feita constantemente e fornecida a todo o sangue que passa pelo baço, produzindo largas quotas de energias vitais ao sangue e, ainda, retemperando o grande simpático, através dos nervos que o envolvem. Daí a força que possui o baço, e a necessidade de o sangue passar por ele. Por isso pode executar sua tarefa de equilibrar o volume, do sangue circulante. Sendo o armazenador do ferra extraído das hemoglobinas e o fornecedor do prana necessário à manutenção do organismo, a baço é o órgão mais visado pelos vampiros que, através do chakra esplênico, sugam a força vital da vítima, prendendo‐se às suas costas."
Técnica de Mediunidade, Carlos Torres Pastorino - parte I, "Baço ‐ vampiros"

Herculano Pires dedicou toda uma obra ao tema, pela qual assim nos empresta sua conceituação para o verbete como "a atuação consciente de um ser sobre o outro, para deformar-lhe os sentimentos e as ideias, conturbar-lhe a mente e levá-lo a práticas e atitudes contrárias ao seu equilíbrio orgânico e psíquico" (Vampirismo - cap. "Parasitas e vampiros"). E numa concepção mais genérica, o filósofo ilustra o caráter do parasita psíquico:

"Na vida material como na vida espiritual o vampirismo é um processo comum e universal do relacionamento afetivo e mental das criaturas. É vampiro o sacerdote que fanatiza um crente e o submete às suas exigências para explorá-lo com a promessa do Céu, como é vampiro o demagogo político que fascina os adeptos de suas ideias e os leva ao sacrifício inútil e brutal da revolta e do terrorismo. É vampiro o espírita ou o médium que fascina os ingênuos com a falsificação de poderes que não possui, revelando-lhes supostas reencarnações deslumbrantes e conduzindo-os ao delírio das suas ambições de grandeza. É vampiro o negocista esperto que suga as economias de seus clientes com falsas promessas para um futuro improvável. É vampiro o galanteador donjuanesco que se apossa da afeição das mulheres inseguras para explorá-las. É vampiro o alcoólatra ou o toxicômano que semeia desgraça em seu redor. É vampiro o Espírito sagaz ou vingativo que suga as energias das criaturas humanas e subjuga outros Espíritos para agir na conquista e dominação de outras, e assim por diante, na imensa e variada pauta do vampirismo material e espiritual.."
Vampirismo J. Herculano Pires - "Parasitas e vampiros"

Allan Kardec não usou as expressões "vampirismo" e "parasitismo psíquico", mas deixou bem caracterizado semelhante processo dentro da classificação das obsessões, inclusive, colocando-o na mais grave categoria de assédio — a subjugação.

"Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às maléficas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá dominação a um Espírito mau (...) Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele..."
Allan Kardec, A Gênese, - cap. XIV, item 46

A conceituação espírita para vampirismo pode sugerir, num primeiro momento, uma recorrência doutrinária às teorias lendárias, como as histórias do famoso Conde Drácula. Porém, o que é mais exato é considerarmos que as lendas e romances fictícios de vampiros sejam exatamente inspirados nos reais processos obsessivos de parasitismo psíquico, mais uma demonstração de como a dimensão física imita — ainda que inconscientemente — o mundo espiritual.

Diante dessa realidade, a Doutrina Espírita tem o mérito de tornar conhecido esse processo obsessivo — muito frequente, aliás — e, dessa maneira, dar a possibilidade de uma melhor prevenção e tratamento aos casos já correntes.


Tipos e causas de vampirismo

Os casos clássicos de parasitismo psíquico são classificados pelos seguintes tipos:

  • Vampirismo por viciação: Espíritos que, encarnados, tornaram-se apegados às sensações materiais e viciaram-se em prazeres carnais prosseguem, após o desencarne, buscando àquelas mesmas sensações, vinculando-se aos encarnados que vibram em faixa idêntica, compartilhando daquelas paixões desequilibrantes (fumo, álcoo, droga, gula, sexo desregrado etc.);
  • Vampirismo por atentado direto: obsessores que, conservando sentimentos negativos (ódio, especialmente) contra determinado indivíduo, motivados por inveja ou vingança (quando se sentem ofendidos por aquele), ligam-se então à sua vítima intencionalmente com o intuito de absorver-lhes a vitalidade, enfraquecendo-a e lhe causando prejuízos.
  • Vampirismo por uma causa contrária: quando um obsessor investe contra outrem, não por motivação pessoal (como no caso anterior), mas em razão de causas contrárias, por exemplo: para desvirtuá-lo de uma religião; para prejudicá-lo em função de preconceito étnico, para cooptá-lo para um determinado lado de duas forças opostas, etc.
  • Vampirismo inconsciente: quando dois indivíduos de planos diferentes, um encarnado e outro desencarnado, permanecem ligados, ainda que por um sentimento afetuoso e sem intenção de causar qualquer dano, mas que acabam prendendo-se, por força de um sobre o outro ou pela ação de ambos, impedindo ou dificultando o seu progresso em virtude de uma saudade demasiada.
  • Vampirismo por pseudonecessidade: quando um indivíduo supõe que necessita — e quase sempre acha que tem o direito — de se valer de outrem para sobreviver ou para alcançar um melhor status e então escora-se continuamente no outro, sugando-lhe as forças e procurando exercendo domínio sobre sua vítima.

O primeiro caso, de um Espírito para um encarnado, é típico de parasitismo recíproco, já que ambos os envolvidos gozam do mesmo vício — ainda que em algum deles haja um sentimento de remorso. O Espírito procura motivar o encarnado à prática viciante para assim vampirizar as energias resultantes das sensações daquele prazer carnal. O segundo e o terceiro caso são próprios de desencarnados para encarnados. Já os dois derradeiros tipos de vampirismo podem ser acionados por um Espírito para encarnados ou vice-versa.

O principio da existência do vampirismo, assim como de qualquer tipo de obsessão, está no ajustamento do livre-arbítrio de cada Espírito frente à lei de ação e reação, da capacidade de influenciação de um para com o outro e do desenvolvimento das capacidades intelectivas e morais. Nesse contexto, não há razão para a vitimismo, uma vez que o obsediado (suposta vítima do processo vampírico) é, em parte, sempre corresponsável pela vinculação perniciosa, a partir de quando — por fraqueza, descuido ou reciprocidade — deixa-se ser influenciado pelo invasor. Trata-se, em suma, de uma prova ou expiação, para a qual os envolvidos são postos em condições de ajustar-se positivamente.

No tocante à condição do obsediado, vítima de um processo obsessivo, o saudoso Hermínio C. Miranda exprime:

"A vítima da obsessão é sempre uma alma endividada perante a lei. De alguma forma grave, no passado mais recente, ou mais remoto, desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade, vindo a colher, como consequência inexorável, o sofrimento. (...) Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz, mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces, ligando­se a ele por largo tempo, vida após vida, aqui e no Espaço, alucinado pelo ódio, que não conhece limites nem barreiras"
Diálogo com as Sombras, Hermínio C. Miranda - cap. II


Processo parasitário e efeitos

A literatura espírita é rica em exemplos de parasitismo psíquico, evidenciando as causas e os efeitos dessa ligação danosa entre os psiquismos envolvidos, pelo que podemos compreender melhor o processo de vampirismo.

Eis um apanhado:

"Existe vampirização em larga escala, desde os tempos imemoriais. Sempre existiram criaturas que vivem a expensas de outrem, absorvendo­lhes as energias das mais diferentes maneiras, tanto no plano físico quanto no espiritual. Assim, os que se encontram muito apegados às sensações materiais prosseguem, após o túmulo, a buscar sofregamente os gozos em que se compraziam. Para usufruí­los, vinculam­se aos encarnados que vibram em faixa idêntica, instalando­se então o comércio das emoções doentias. Por outro lado, os obsessores, por vingança e ódio, ligam­se às suas vítimas com o intuito de absorver­lhes a vitalidade, enfraquecendo­as e exaurindo­as, para conseguirem maior domínio. Idêntico procedimento têm os desencarnados que se imantam aos seres que ficaram na Terra e que são os parceiros de paixões desequilibrantes. Ressalte­se que existem aqueles que, já libertos do corpo físico, ligam­se, inconscientemente, aos seres amados que permanecem na crosta terrestre, mas sem o desejo de fazer o mal. E, mesmo entre os encarnados, pessoas existem que vivem permanentemente sugando as forças de outros seres humanos, que se deixam passivamente dominar. Essa dominação não fica apenas adstrita à esfera física, mas (...) intensifica­se durante as horas de sono. Quanto mais profunda for essa sintonia maior será a vampirização."
Obsessão e Desobsessão, Suely Caldas Schubert - Cap. 15

A base do processo se dá pela conexão entre as formas-pensamentos de um indivíduo para com outro — sejam eles encarnados ou desencarnados. Inicialmente, um dos indivíduos dirige (mal intencionalmente ou não) suas formas-pensamentos e estas, encontrando receptividade e hospedagem num outro psiquismo, instalam lá as bases dos filamentos e depositam larvas mentais — que Kardec chamou de "fluidos perniciosos" —, cujos efeitos são sempre nocivos, em maior ou menos intensidade.

Essas larvas psíquicas (formas-pensamentos) são geradas por mentes descuidadas e motivadas por sentimentos negativos, como tristeza, medo, inveja, raiva, ódio etc.; também por sensações desregradas e viciosas, tais como por tabagismo, toxicomania, glutonaria, desvios sexuais etc. Uma vez vinculadas a um hospedeiro, essas criações sombrias, saturadas de magnetismo, agem para parasitar as energias vitais da vítima, dominando seus estímulos nervosos a fim de incitá-los na produção de mais nutrientes viciantes pelo que obsessor e obsediado encontram afinidade.

Allan Kardec reconhece a possibilidade desse tipo de vinculação através das propriedades do perispírito, comum tanto às almas dos homens quanto aos Espíritos:

"Como o perispírito dos encarnados é de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito, por sua expansão e sua irradiação, uma ação tanto mais direta, quanto o perispírito se confunde com eles. Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este perispírito, por sua vez, reage sobre o organismo material com que se acha em contato molecular. Se as emanações são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão saudável; se são más, a impressão é penosa. Se elas são permanentes e enérgicas, as emanações más podem ocasionar desordens físicas; esta é a causa de certas enfermidades"
Allan Kardec, A Gênese, - cap. XIV, item 18

O Espírito Irmão Jacob narra, pela psicografia de Chico Xavier, a desventura que testemunhou de infelizes viciados no alcoolismo sendo assediados por vampiros da dipsomania:

"Estavam seguidos por verdadeiros vampiros de forma repugnante, alguns completamente embriagados de vapores, outros demonstrando aflitiva sede, pálidos e cadavéricos. O quadro mais inquietante, porém, era constituído por um morfinômano e pelas entidades em desequilíbrio que se lhe jungiam. Parecia um homem subjugado por tentáculos de polvos enormes. Vendo-o aprisionado em cordões escuros, perguntei ao amigo Andrade como interpretar a visão que tínhamos sob os olhos, esclarecendo-me ele, então, que os hipnóticos, mormente ao mais violentos, afetam os delicados tecidos do perispírito, proporcionando doces venenos aos amantes da ociosidade; os fios negros são fluídos de ligação entre as "lampreias" invisíveis e os plexos da vítima encarnada."
Voltei, (Irmão Jacob) Chico Xavier - "Revemdo círculos de trabalho"

Entre muitas passagens da obra espiritual de André Luiz a respeito dessa temática, temos a seguinte transcrição de um processo vampirístico, conforme os apontamentos de um instrutor tarefeiro:

"(...) Nas moléstias da alma, como nas enfermidades do corpo físico, antes da afecção existe o ambiente. As ações produzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão origem a formas e consequências de infinitas expressões. E, em virtude de cada Espírito representar um universo por si, cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lançamos em circulação nas correntes da vida. A cólera, a desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma. E, qual acontece no terreno das enfermidades do corpo, o contágio aqui é fato consumado, desde que a imprevidência ou a necessidade de luta estabeleça ambiente propício, entre companheiros do mesmo nível. Naturalmente, no campo da matéria mais grosseira, essa lei funciona com violência, enquanto, entre nós, se desenvolve com as modificações naturais. Aliás, não pode ser de outro modo, mesmo porque você não ignora que muita gente cultiva a vocação para o abismo. Cada viciação particular da personalidade produz as formas sombrias que lhe são consequentes, e estas, como as plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas, onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa.
(...) Semelhantes larvas são portadoras de vigoroso magnetismo anima. Naturalmente que a fauna microbiana, em análise, não será servida em pratos; bastará ao desencarnado agarrar-se aos companheiros de ignorância, ainda encarnados, qual erva daninha aos galhos das árvores, e sugar-lhes a substância vital."
Missionários da Luz, (André Luiz) Chico Xavier - cap. 4

As vinculações psíquicas fundadas na interdependência de um individuo para outro acabam por produzir efeitos diversos, começando por uma fragilidade mental — tanto naquele que obsedia (porque acomoda-se na falsa vantagem de nutri-se às custas dos recursos alheios e assim não desenvolve sua autossustentação), quanto naquele que é obsediado (pois é cada vez mais arrastado à incapacidade de reagir contra o assédio hipnótico do algoz).

André Luiz discorre sobre esse processo de dominação mental, fazendo um paralelo com o parasitismo dos animais primitivos:

"(...) Estabelecida essa operação de ajuste, que os desencarnados e encarnados, comprometidos em aviltamento mútuo, realizam em franco automatismo, à maneira dos animais em absoluto primitivismo nas linhas da Natureza, os verdugos comumente senhoreiam os neurônios do hipotálamo, acentuando a própria dominação sobre o feixe amielínico que o liga ao córtex frontal, controlando as estações sensíveis do centro coronário que ai se fixam para o governo das excitações, e produzem nas suas vítimas, quando contrariados em seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante influência mecânica sobre o simpático e o parassimpático. Tais manobras, em processos intrincados de vampirismo, prestigiam o regime de medo ou de guerra nervosa nas criaturas de que se vingam, alterando­lhes a tela psíquica ou impondo prejuízos constantes aos tecidos somáticos."
Evolução em Dois Mundos, (André Luiz) Chico Xavier - cap. XV "Vampirismo Espíritual"

O efeito mais danoso dessa fraqueza psíqucia culmina na condição de ovoide, quando a mente espiritual perde a autonomia do próprio pensamento, mergulhado num monoideismo automático.

Além da fraqueza mental, o acúmulo das energias insalubres (larvas parasitárias) no organismo perispiritual perturba o sistema nervoso, comprometendo o comportamento do obsediado e, sendo este um encarnado, pode acabar se manifestando fisicamente em forma de infecções e doenças crônicas e fatais (como cãncer).


Tratamento e prevenção

Em assédios vampirescos mais simples e esporádicos o processo pode se desfazer facilmente, por exemplo, por uma reação de resistência do obsediado ou por desinteresse do algoz nos recursos de vitima. Já nos processos avançados de parasitismo espiritual, quando a vinculação perniciosa entre os envolvidos apresenta feixes de filamentos mais resistentes e o obsessor detém domínio sobre sua vítima, pode ser necessária a intervenção de terceiros, de maior ascendência evolutiva sobre os cúmplices, para o socorro fraterno.

Em síntese, a libertação (desobsessão) e prevenção contra qualquer tipo de assédio obsessivo estão no fortalecimento das virtudes e correção das imperfeições.

E como sempre são bem-vindas as lições do codificador espírita, convém aqui relembrarmos as anotações de Kardec a respeito dos meios de se combater a obsessão:

"Os meios de se combater a obsessão variam de acordo com o caráter que ela reveste."
O Livro dos Médiuns, Allan Kardec - cap. XXIII, item 249

Para os casos simples, a recomendação básica é:

"Duas coisas essenciais se têm que fazer nesse caso: provar ao Espírito que não está iludido por ele e que lhe é impossível enganar; depois, cansar-lhe a paciência, mostrando-se mais paciente que ele. Desde que se convença de que está a perder o tempo, irá se retirar, como fazem os importunos a quem não se dá ouvidos"
Idem,

Já em situações tais de um assédio mais obstinado...

"Porém, isto nem sempre basta e pode levar muito tempo, porque há Espíritos teimosos, para os quais meses e anos não são nada. Por isso, o médium deve dirigir um apelo fervoroso ao seu anjo bom, assim como aos bons Espíritos que lhe são simpáticos, pedindo-lhes que o ajudem"
Idem,

Em casos mais graves, quando há uma interligação obsessiva mais complexa, a exemplo do parasitismo, Kardec então adverte para a possível necessidade de um interventor amigo:

"A subjugação corporal tira muitas vezes ao obsidiado a energia necessária para dominar o mau Espírito. Daí o fato de se tornar preciso a intervenção de um terceiro, que atue, ou pelo magnetismo, ou pelo império da sua vontade. Em falta do auxílio do obsidiado, essa terceira pessoa deve tomar ascendente sobre o Espírito; porém, como este ascendente só pode ser moral, só a um ser moralmente superior ao Espírito é dado assumi-lo e seu poder será tanto maior, quanto maior for a sua superioridade moral, porque, então, se impõe àquele, que se vê forçado a se inclinar diante dele. Por isso é que Jesus tinha tão grande poder para expulsar aquele a que naquela época se chamava demônio, isto é, os maus Espíritos obsessores.
Aqui, não podemos oferecer mais do que conselhos gerais, porque nenhum processo material existe, como, sobretudo, nenhuma fórmula, nenhuma palavra sacramental, com o poder de expelir os Espíritos obsessores. Às vezes o que falta ao obsidiado é força fluídica suficiente; nesse caso, a ação magnética de um bom magnetizador pode lhe ser de grande proveito. Contudo, é sempre conveniente procurar os conselhos de um Espírito superior ou do anjo guardião por um médium de confiança."
Idem - cap. XXIII, item 251

O benfeitor André Luiz reproduz as lições superioras que dizem que a oportuna intervenção dos amigos espirituais está sempre ativa, contudo, enfatiza a responsabilidade de cada qual.

"Quanto ao combate sistemático ao vampirismo, nas múltiplas moléstias da alma, aqui também, no plano de nossas atividades, não faltam processos saneadores e curativos de natureza exterior; no entanto, examinando o assunto na essência, somos compelidos a reconhecer que cada filho de Deus deve ser o médico de si mesmo e, até à plena aceitação desta verdade com as aplicações de seus princípios, a criatura estará sujeita a incessantes desequilíbrios."
Missionários da Luz, (André Luiz) Chico Xavier - cap. 6

Destacando especialmente a força da oração

"(...) Não tenha dúvida, a oração é o mais eficiente antídoto do vampirismo. A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qual quer forma, pode emitir raios de espantoso poder."
Idem

E, a título de ilustração, descreve a beleza do exemplo de superação de um rapaz, outrora vampirizado, libertando-se das ligações viciosas que detinha em consórcio com um obsessor vampiro:

"(...) Comovido com a beleza de suas súplicas, reparei com assombro que o coração se lhe transformava num foco ardente de luz, do qual saíam inúmeras partículas resplandecentes, projetando-se sobre o corpo e sobre a alma do esposo com a celeridade de minúsculos raios. Os corpúsculos radiosos penetravam-lhe o organismo em todas as direções e, muito particularmente, na zona do sexo, onde identificara tão grandes anomalias psíquicas, concentravam–se em massa, destruindo as pequenas formas escuras e horripilantes do vampirismo devorador. Os elementos mortíferos, no entanto, não permaneciam inativos. Lutavam, desesperados, com os agentes da luz. O rapaz, como se houvera atingido um oásis, perdera a expressão de angustioso cansaço. Demonstrava-se calmo e, gradativamente, cada vez mais forte e feliz, no momento em curso. Restaurado em suas energias essenciais, enlaçou devagarzinho a esposa amorosa que se conservava maternalmente ao seu lado e adormeceu jubiloso."
Idem


Sobre os obsessores vampiros

Entre os diversos tipos de vampiros psíquicos estão aqueles que agem danosamente de forma consciente ou inconscientemente; aqueles mal-intencionados contra as suas vítimas por motivações pessoais (vingança ou inveja) ou incitados por preconceito (racismo, xenofobia etc.) ou por uma causa diferente e contrária as de suas vitimas etc. Em seu ato obsessivo, o agente vampirizador demonstra sempre baixeza moral e, por conseguinte, natural impotência contra um indivíduo que melhor espiritualizado. No entanto, para todos os casos, Kardec nos prescreve como devemos tratá-lo:

"Quanto ao Espírito obsessor — por mau que seja —, deve tratá-lo com severidade, mas com benevolência e vencê-lo pelos bons processos, orando por ele. Se for realmente perverso, a princípio zombará desses meios; porém, moralizado com perseverança, acabará por se emendar. É uma conversão a empreender, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, mesmo desagradável, mas cujo mérito está na dificuldade que ofereça e que, se bem desempenhada, dá sempre a satisfação de se ter cumprido um dever de caridade e, quase sempre, a de ter-se reconduzido ao bom caminho uma alma perdida.."
O Livro dos Médiuns, Allan Kardec - cap. XXIII, item 249

O atendimento fraterno aos obsessores vampiros se dá oportunamente pelos Espíritos missionários no plano espiritual e algumas vezes com a cooperação de voluntários encarnados, como nas sessões chamadas de desobsessão, ou de socorro espiritual, realizadas nas casas espíritas.


Referências

  • O Livro dos Médiuns, Allan Kardec (ler online)
  • A Gênese, Allan Kardec (ler online)
  • Nosso Lar, (André Luiz) Chico Xavier (ler online)
  • Missionários da Luz, (André Luiz) Chico Xavier (ler online)
  • Vampirismo, José Herculano Pires (ler online)
  • Técnica de Mediunidade, Carlos Torres Pastorino (ler online)
  • Estudando a Mediunidade, Martins Peralva.
  • Obsessão e Desobsessão, Suely Caldas Schubert (ler online)
  • Voltei, (Irmão Jacob) Chico Xavier (ler online)
  • Diálogo com as Sombras, Hermínio C. Miranda (ler online)
  • Bibliossíntese Vampirismo (vídeo)




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