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Capítulos:



Cap. 2 - Encontro doce


— Não pai, não precisa...

— Agora você vai pagar a dívida de teus irmãos!

— Ei, senhor, eu não sei do que você está falando.

— Sabe o que é honra garoto? Se não souber, isso também pouco importa! A você basta saber que a tua curta vida será a paga pela honra que teus irmãos não têm!

Quando acordei, estavam ao pé de minha cama, irmã Madalena e Miguel, acompanhados de outra senhora, que eu ainda não conhecia, mas que não me parecia estranha. Tinha a nítida impressão de conhecê-la. Senti a mesma sensação de quando conheci aquela que passei a chamar de minha mentora, mesmo sabendo que ela não adota tal epíteto.

Levantei-me meio tonto e sentindo fortíssimas dores de cabeça. Fiquei um pouco sentado no leito e interroguei:

— O que aconteceu comigo? Eu tive um sonho terrível! Eu não consegui entender muito bem...

— Quer nos relatar esse sonho César? — perguntou a senhora que acompanhava Madalena e Miguel.

— Gostaria, mas não sei se conseguirei, pois não só não pude ter total entendimento do sonho como também não me lembro de muita coisa.

— Fale apenas do que se lembrar e do que conseguir assimilar — disse a irmã Madalena, incentivando-me a relatar meu sonho.

— Eu me lembro de uma criança, de uns doze anos, que foi morta por alguns homens que diziam que ele é que iria honrar a dívida adquirida por seus irmãos.

— O que você sentiu ao ver a criança? — perguntou-me Miguel.

— Compaixão e desejo de vingança, pois para mim, foi como se aqueles homens houvessem feito mal a alguém que me fosse muito querido, como um filho, talvez.

— Como você me enxerga César? Quero dizer, como você me considera em sua rede de relacionamento?

— Acho que, mesmo lhe conhecendo somente aqui, no plano espiritual, Miguel, o tenho como um irmão.

— O que você sentiria se alguém fizesse mal a Miguel? Comparado ao que fizeram à criança de seu sonho? — perguntou-me a senhora.

— Não entendo o objetivo desse interrogatório, irmã.

— Apenas responda! — advertiu-me Madalena.

— Posso dizer que o mesmo que senti em meu sonho.

— E disso, o que você pode concluir César? — continuou a senhora.

Parei um instante e meditei sobre tudo aquilo que estávamos conversando e tentei ajuntar tudo com o sonho que havia tido.

— Não foi um sonho, não é mesmo?

— Não, César. Foi uma lembrança.

— Aquela criança era Ícaro! — conclui.

— Sim, meu filho.

Naquele momento, em que a senhora me disse aquelas palavras, eu percebi nitidamente de quem se tratava e, imediatamente, meus olhos encheram-se de lágrimas à medida que a senhora agora tomava forma daquela que fora minha mãe no plano terrestre.

Não podia conter a emoção. Abraçado à minha mãezinha, agradeci a Deus por aquela oportunidade.

— Como esperei por você, César!

— Mãe, que bom reencontrá-la. Sinto em meu peito o coração bater como se eu ainda dispusesse de tal.

— Também estou feliz, César. E mais ainda por saber que está se esforçando em aprender as lições que nossos amigos aqui estão lhe ofertando.

— Por que não a encontrei antes, mãe?

— Para tudo há seu tempo, filho! E além do mais, não permaneço neste retiro espiritual. Apenas vim aqui porque fui requisitada. E devo dizer que para mim foi uma grande surpresa, já que não havia ainda sido informada de seu socorro, pois há muito que rogava a Deus por você, meu filho.

— E a senhora aqui, onde vive, então?

— Em outra colônia próxima.

— Poderei ir viver com a senhora?

— Creio que não, César, pois estamos nos preparando para novos momentos de nossa existência.

— Nós, quem?

— Tanto você quanto eu, César.

— Não compreendo!

— Logo você entenderá. Tenha paciência!

Os amigos se retiraram do quarto e haviam me deixado a sós com minha mãezinha. Passamos o dia conversando coisas de nossa vida no plano físico. Devo dizer que é bem interessante a forma como que essas lembranças tocam o íntimo de cada um de nós, fazendo-nos refletir cada instante recordado.
Ao fim da tarde, chegava o momento de me despedir de minha mãezinha. Mas eu sabia que, em breve, estaríamos juntos novamente.

— César pedirei a ti que, em nome do nosso Mestre Amado, ajude-nos com nosso querido Ícaro.

— A senhora também está sabendo dele? — perguntei surpreso.

— Sim. Como não haveria de saber? Participo dos preparativos para o retorno dele ao mundo físico.

— Quer dizer que ele vai reencarnar?

— Em breve! E temo que esta medida seja feita de modo compulsório, pois Ícaro é um ser que ainda não quis aceitar a imensa ajuda que sempre lhe é ofertada.
— E ele já tem uma família destinada?

— Por quê? Você gostaria de sugerir alguma?

— Na verdade, não é isso, mas é que pensei imediatamente na família de Hélio.

— Você está a tão pouco tempo estudando e vejo que já assimilou bem o aprendizado que lhe está sendo dispensado. Lembre-me de parabenizar o irmão Miguel por este grande feito.

— Eu supus certo?

— Absolutamente.

— Que bom. Assim, eles terão a oportunidade de refazerem suas histórias.
Naquele instante, meu coração enchia-se de felicidade e confesso que interroguei a Deus: quando eu também teria a chance de redimir-me com Ícaro?

— Não se aflija com isso — disse-me minha mãezinha.
— Deus, nosso Pai, sabe o momento certo de todas as coisas. E quando o momento chegar, prometo eu mesma, ajudá-lo em sua programação.

— Conto com isso!

— Devo ir, meu filho — disse-me, dando-me um forte abraço, como costumava fazer em nossos dias na Terra —. Tenho tantos outros afazeres esperando o meu retorno. Fique com Deus e lembre-se que eu sempre estarei por perto.

— Vá com Deus, mãe e até breve!

Isso foi tudo o que eu consegui dizer. Desta forma, nos despedimos temporariamente, sem tristeza que afligisse o coração; sem sentir-me constrangido a acompanhá-la, somente a sublime certeza de dever cumprido e que aquele encontro nos foi dado como presente de Deus.


Capítulos:


Introdução

PRIMEIRA PARTE (Médium Wilton Oliver) Capítulo 1 - Visitas à casa do irmão Hélio

Cap. 2 - Encontro doce

Cap. 3 - O papel dos mentores

Cap. 4 - O resgate de Ícaro

Cap. 5 - Na câmara de miniaturização

Cap. 6 - Preparação para o porvir

Cap. 7 - A gestação

Cap. 8 - Oportunidade para recomeço

Cap. 9 - Confissões

Cap. 10 - Equipe socorrista

Cap. 11 - Depoimento de Hanzi

Cap. 12 - Nos campos da Colônia

Cap. 13 - Reminiscências

Cap. 14 - Influências nefastas

Cap. 15 - Exposição esclarecedora

SEGUNDA PARTE (Médium Rodrigo Felix da Cruz) - Cap. 1 - Notícia feliz

Cap. 2 - O retorno de Marisa

Cap. 3 - Estudos na Colônia

Cap. 4 - Estágio no Hospital Irmã Margarida

Cap. 5 - Reencontro com Ícaro

Cap. 6 - As dimensões do Além

Cap. 7 - Laboratório da Memória

Cap. 8 - Na equipe socorrista

Cap. 9 - Primeiras atividades socorristas

Cap. 10 - Visita a François Dupont

Cap. 11 - Importante projeto

Cap. 12 - Grupo de planejamento

Cap. 13 - Implantação do projeto

Cap. 14 - Trabalho em conjunto

Cap. 15 - Comprometimento, esperança e perdão

TERCEIRA PARTE (médiuns Alessandra Aparecida Silva e Rodrigo Felix da Cruz) Cap. 1 - Balanço

Cap. 2 - Novos trabalhos

Cap. 3 - Reunião na casa de Ricardo Felício

Cap. 4 - Laerte

Cap. 5 - Irmã Margarida

Cap. 6 - Irmã Maria Madalena

Cap; 7 - Irmã Lia

Cap; 8 - Inácio

Cap. 9 - Thales

Cap. 10 - Augusto

Cap. 11 - José de Matusalém

Cap. 12 - Estevão, guerreiro

Cap. 13 - Clara

Cap. 14 - O resgate de Rômulo

Cap. 15 - Mensagem de Laerte



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